quinta-feira, 28 de agosto de 2008

um amor assim
assim bem de pertinho
é tudo que dona sinhá quer
um amor assim
sem me preocupar com a maldade que seus sonhos carregam
sem me preocupar com a novidade na praça
sem me preocupar com os caminhos que seus pés ocupam
sem me preocupar em estar vazia
assim
bem de mansinho
feito puma satisfeito com a caça
assim feito café
quente, forte e doce no ponto
pronto pra beber
jamais frio
assim
feito vontade saciada e logo renovada
assim feito melancia suculenta
assim, redundante
suando a mil sem correr

ousado
simples
assim, cheio de contradições coerentes
é possível
basta se vestir de humildade
e ir além de um café pequeno
assim, logo cedo de manhã
sem se demorar
assim, agora
quase para ontem
eu senti.

Hoje eu estou querendo esconder quem sou
pra poder me revelar...

Hoje estou deixando quem eu gosto
pra poder amar mais...

hoje tirei a maquiagem
pra revelar minha beleza...

as minhas saias estão longas
pra revelar a beleza das minhas pernas...

o meu cabelo não está liso, nem enrolado
tão pouco ondulado...
ele está com as curvas do vento...

fechei a boca de leve...
pra sentir seu beijo voraz...

silêncio...

eu abri os braços
pra enfim, sentir o raio de seus braços
sem divisão,
em espaço uno ao meu...

só por hoje,
esqueço que tive um ontem impróprio para menores,
porque a felicidade não precisa saber o que acontece em sua ausência,
esqueço também que existe um amanhã e sou obediente ao Renato Russo...
é preciso mesmo...

Recadinho à dona Bifa:

Tenho sentido saudades de um sorriso de Coelho
tenho juntado em pensamentos
muitas palavras e imagens de copos
ainda secos pelos desencontros 
tenho guardado em mim mais uns trinta abraços 
cheinhos de admiração da simplicidade e integridade
que ela me passa
ela,
dela
da Fabiana
minha parceira de viagens ao mundo infantil que tenho dentro de mim.

Tem dias que a gente está mesmo para agradecer...
grata pela sua graciosidade!


terça-feira, 26 de agosto de 2008

Abram alas à clandestinidade!

E a Felicidade é mesmo Clandestina, 'Donas ClaRices'...
ela não se apresenta às autoridades em defesa do que foi imposto
ela não se demora na perfeição forçada,
nem no excesso de desleixo
não tem endereço certo
ela mora nos becos
muitas vezes é prostituída à tristeza
(ela também conhece a tristeza,
precisa conhecer para combater)
é difícil vê-la nas grandes avenidas escuras
em noite de trovoada,
ela não tem forma certa,
ou seria fórmula certa?
Ela vive num sorriso da hora
num dia de sol despretensioso
num abraço nunca prometido
na chuva fina da janela.
ela é muito andeja
não tem raíz
fica onde menos se força sua estadia
é onipresente,
passa através de fios, pensamentos, sentimentos, pelo vento
até por fotografia
ela se veste de lembrança
de aceitação dos defeitos
de aceitação
de mudança coesa.
é tão clandestina que dói a sua falta de morada fixa
é tão clandestina que é maravilhoso tê-la em toda morada.
a felicidade usa all-star azul
e fica linda de escarpin
graciosa de sapatilha
e aconchegante de havaianas
quase-perfeita descalça...
ela é a hora
o momento
é feita de.
ela carrega brilho de estrelas onde passa
e as estrelas não morrem facilmente
é preciso muita cara feia e descrença nas fadas
pra apagar um sorriso da felicidade.
'Abram alas que hora da estrela
clarear sua via prometida'...




eu também tenho um coração selvagem cheinho de estrelas e gritos
mas a felicidade, tem em mim um terreno maior do que imagino
é do tamanho que sinto
quero assim que chegue pelo vento
a vocês duas,
duas jóias
com brilhos de estrelas
e um mundo cheio de descobertas a fazerem juntas
e sem imposição nem lei hipócrita
a felicidade é clandestina
mora onde a acolhem melhor!

[Em uma noite que dormi com a tristeza
e acordei clandestina envolvida por esta felicidade de conhecer
pessoas que preciso delas juntas pra me ensinar a viver melhor!]

O rabisco é Dona Clarice Lispector... ela que vem inspirando, azucrinando, felicitando clandestinamente todos nós da empreitada da Descoberta do Mundo. O rabisco é da Rita Dona Doida mais Clandestina do que nunca...

sábado, 9 de agosto de 2008

Pra quem gosta de boniteza!!!


Zoiudinha era feia que doía
Zoiudinha, como sugere o nome,
tinha os olhos maior que a vontade de ser feliz
o nariz mais em forma de bola que a lua
a boca maior que..., (vixe...nem quero dizer pra não assustar...)
quando zoiudinha saía de casa,
de tão feiosa,
todo mundo se ria dela
se ria
se ria
se ria, a barriga até doía e eu também dela ria...
ela se ia...
cabeça bem baixinha, ela seguia...
pra zoiudinha fechar os olhos à noite,
era preciso mil estórias encantadas de formigas japonesas, ou chinesas
(com tanto que elas tivessem olhos bem puxadinhos para não causar má impressão)
que iam e vinham na rua dos doces mais gostosos de todo o mundo...

(Ah, esqueci de dizer que zoiudinha era magra, magrinha, bem magra de ruim,
porque adorava tudo que derretesse na boca feito açúcar bem docinho)

zoiudinha, como toda menininha,
tinha um sonho:
ela queria ser grande e se tornar 'A princesa zoiuda em terra de cego'
aquela terra mesmo, onde quem tem um olho só é rei...
ela ficava horas imaginando o que faria
tendo duas luas gordas de olhos de 'um verde-quase-cinza' na cara
num mundo onde ela,
só ela,
enxergasse a beleza
onde ela,
só ela,
dissesse quem é feio e quem é bonito
onde ela,
só ela,
toda zoiudinha,
brincasse de se rir com todas as formigas japonesas
(ou serão chinesas)
onde só ela pudesse contar uma história assim:

"Zoiudinha era linda que doía
Zoiudinha era até chamada de lindinha
e como sugere o apelido,
tinha uma beleza indiscutível
tinha olhos muito brilhantes de sonho
e levemente salientes pela sua cor ver-esmeralda
o nariz dela era mais afilado que uma quina de parede
a boquinha..., vixe... agora vou ter que dizer...
mais desenhada que a da melhor boneca de seus sonhos
quando zoiudinha, digo, lindinha
saía de casa
até 'a banda tocando coisas de amor'
parava pra ver ela passar
silêncio total...
psssssssiiiu!!!
mais silêncio...
para sentir a beleza de lindinha-zoiudinha
e com isso,
ela se ria
se ria
se ria
se ria tanto, que ficava com a barriguinha doendo de tanto rir
e a cabeça sempre erguida
pra zoiudinha abrir os olhos desse sonho
dava muito trabalho
dava sim
dava tanto
dava até medo dela conseguir realizar o tal sonho
esse, onde todo mundo ia ser feliz
onde todo mundo ia ser cego de vaidade
e a beleza ia ser só sentida
a riqueza, ia ser o silêncio tocado todos os dias
nas bandas de música que não iam nunca,
nunquinha,
deixar de criar e tocar
canções de amores vivos, bem vivos
e gordinhos de bem-muito-querer..."


Às vezes, zoiudinha inventa de encontrar
pedaços espalhados de seus sonhos
na sensibilidade rara de músicos dessa bandinha
bandinha-inteira que toca coisas de amor
e ela sorri
ela sorri tanto sonhando
ela sorri toda sonhando
ela se vê além dos grandes olhos
ela se enxerga além de uma imagem-una
ela exala beleza pelos olhos-poros...



!para um gordo que me faz rir e lembrar de histórias cabeludas, sem ter cabelos
de histórias de caçadores, sem ter floresta
de histórias de pequenos amores, sem ter castelos...!

Canto de Ossanha com Elis e Chico Anysio.... Hilário!