nos cabelos
margaridas muito brancas em meu sorriso
eu sentada ali no cais
olhando de longe
lá do outro lado da maré
transformo beijos em palavras?
peço licença à fisicalidade
ao tato e ao agrado do toque
para fazê-lo sem censura
sem receio/ sem vaidade
faço assim...
por aqui, chegar a espessa camada da minha alegria
ao do meu bem-querer
aos de lá/ que estão lá
bem vivos aqui, em mim.
eu ainda toco os pés na água que bate lá.
A quase perfeição dos gestos deles
A receita de fazer meus olhinhos brilharem
porque em dias alegres
até mesmo a escala de cinza no céu, sorri
mas em dias cinzas, em que quase tudo não tem cor,
é de deixar a alma suculenta ao receber carinho do mais destilado
assim, como bebida branca
que embebeda o juízo dos ranzizas
o mal feitio da inveja.
Um carinho assim, feito mel puro na boca.
Faço chegar assim,
em junção de letras
a mais leve gratidão
de um sorriso meu abarrotado de bem -querer
de bem querer estar ai
de bem querer voltar
e dar um cheiro bem grande em cada um deles.
Que o relógio se demora em dar suas voltas, isso é verdade.
Mas que a primavera há de chegar cá e
que não vai passar sem que eu me despeça dela
e encontre lá, no meu além-mar,
um outono que se demora em aparecer
mas espera tanto chegar
e que na espera há de sempre se gerar mais afeto e alegria
onde cada um tiver
porque saudade só é não ruim
quando a gente domina.
[Porque minha boca está cheia de beijos
meus olhos em lente de aumento para vê-los
meus braços abertos e certos de embalos
meus ouvidos gritando pela música deles
e minha voz grata pelo carinho que tem lá
que chegou cá.]
[Depois de receber uma caixa cheinha de lembranças deles, chego uma noite a ver imagens repletinhas de carinhos, deles ainda! e a felicidade insiste em ser de criança com cara de gente grande - o sorriso amarrado nas orelhas! Foi assim que fiquei ao receber o carinho do SESC Santa Rita, dos amigos do "Santa EuRita". Mando eu um beijo no oio de cada um e dizer que aqui só não é melhor porque eles estão lá e eu cá.].
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