terça-feira, 4 de setembro de 2012

A chuva guarda as pessoas em suas casas
             quando casas existem
ou
guarda então nas desgraças da falta destas
A água corta o vidro
a água fere, falha, derrama, verte, inverte
água não é mar
é mais
é limpeza plena de terra
mesmo quando arrasta sonhos.



A escrita estava seca
rigidamente seca
Suas caudalosas idéias
        Foram-se...
vocabuláRIO rio abaixo...
em rio de desuso
ora lenta e sossegadamente
ora tempestiva e vorazmente
       em curva
       em reta
lavando as palavras
uma a uma
misturando as letras
      as idéias
      as histórias
      os pensamentos
e a poesia corre solta na superfície
tentando agarrar-se a um tronco de saudade
mas o que se sabe,
é que a correnteza da ignorância a levou queda d’Água abaixo
No curso do rio,
passam a esmo,
quase imperceptíveis,
as palavras mais doces,
uma dada à outra...
E num alvoroço mais à frente,
algumas palavras mais duras
      afundam...
algumas delas, arriscam puxar as outras tantas ao fundo das águas.
Mas o rio da conversa segue seu curso firmemente
deixando na terceira margem,
os escritos passageiros
e além de palavras,
lava as feridas de quem escreve
curando as de quem lê
e abre a alma de quem se fecha, aos poucos,
à beleza da criação.
Desaguando em mar aberto as novas idéias
Um cruzamento delas
Todas erguidas sob as mesmas palavras jogadas na nascente deste rio
apontando a mesma escrita
só que diferente
         renovada
         mais leve
         mais simples
com menos palavras
e mais significado.

a poesia não cabe na palavra
na escrita
a poesia se deixa caber em qualquer situação
não cabe numa pessoa
num verso
num olhar
a poesia se cabe onde der
ela não cabe
mas cabe quando der
quando dar.
a poesia é tão ela que se faz em muitas
em muitos
a poesia não cabe no papel
mas cabe onde ela estiver



Quando ela acha por bem
se sacoleja e se arranca da cama em Três tempos...
não quer ser acordada
não usa relógio para não ficar presa ao tempo
Ao objeto
Aos compromissos
Ela levanta, usa o banheiro
Olha o quarto, sem ver.
Sai deste canto. Calada.
Faz um barulho com os dentes para se sentir.
Evita o som de um animal qualquer na janela.
Põe a roupa que não carece ser passada, não carece de arranjamento
É tida, é toda, é tudo que é feito para ela sem a encomenda do desejo
Somente do que chega
Nada lhe faz falta no estilo, cabe em tudo
Empina um beiço quase carmim
Se aninha no cabelo, os dedos
Usa das unhas para dar fim a um cravo
Percorre uma milha do próprio corpo
Até se sente, ressente, assenta, o cento de pele que lhe cabe
Volta ao banheiro, ainda com a porta esgueirada que deixara pra trás
Passa pelo quarto, como quem vai fazer um check-out de hotel
Desce as escadas sem lembrar do corrimão
Sem se importar com os degraus
Atravessa a rua
Anda, anda, anda
Às vezes, voa.
Às vezes, se põe asas vinda de um não sei onde
Às vezes, se amarra num banco de ônibus
Até o sem fim
Andando por horas não contadas
E desce quando quer
No meio do nada
Ou bem no meio de tudo
Vestida de trator
De ignorância
De prepotência
De cegueira do outro
Passa assim, como quem não precisa do olhar de quem a vê
Certa da observação
Passa somente
Só passa
Mas incomoda
Não pelo cheiro, pelo andar,
Pela pele de porcelana, pelas ancas a marcar o tempo
Nem tão pouco pelo belo desenho de Deus na boca
Nada disso.
Incomoda, ela
A todos,
Pela companhia que a acompanha
De mãos dadas
Ela e a Solidão.

Quando?

Rasguei a roupa
Esqueci
Esqueci
Eu ainda lembro
Mas esqueci
A minha palavra não fala
A minha fala não escuta
Não finda sabendo
Não sabe findar
Enrola
O simples se complica
Assim
Sempre aqui
Não rasgo a roupa e a felicidade não passa.

Numa noite fria
Um beijo e tudo acontece
E o beijo nem veio a tempo
De acabar o amor
Que nunca aconteceu
Depois do interesse
Uma pele fria
Uma pela outra, fria.

Ria, eu ao chegar em casa
De como são feitas as coisas e as pessoas
Averso ao verso
avesso o verso
no caminho Inverso
caminho escrevendo
versos no verso
de cada verso
pra não vê a cara da poesia
Cara poesia,
és-me muito cara
a fazer-te em verso
neste tempo averso
a versos escritos
nos versos das cartas pobres de amor


O avesso do verso é a seca
por estes dias
não moro em mim
nem a poesia romanceada
não vejo outras cores nas flores
senão as suas próprias
a bunda gelada clama por encaixe
o sol não passa de uma bola de fogo
Averso ao verso
Avesso o verso
regresso a intimidade da existência
regresso o acesso à inteligência
não quero aprender
apreender a insatisfação
o inverso
das coisas em verso
não escrevo mais
em meus olhos,
a dias que não há poesia
só desgraça na tela é que se lê.
a cegueira se consome na escuridão de meus dias.
Um mundo novo foi criado
e eles vivem num só desde que se beijaram

Quando se conheceram, namoraram
beijaram-se tanto
em mil
que no dia que caíram desatentos no rio
em beijo, em água, em massa
nunca mais pararam de beijar
ou morreriam afogados
criaram assim, um mundo
pequeno mundo
ele mais ela
não precisavam de água
de comida
de sol
só de beijo
do beijo
Até hoje, o bicho é visto nas águas do rio Capibaribe
em noite de lua, nunca em dia de sol
o bicho virou um só
e cega os olhos
de quem tenta só vê
deixa livre a vista de quem sente.

Deus existe quando em mim é festa
Ele desce na roda
Quando canta o capoeira
Quando sola o sabiá
Ele dança na roda
Na batida do côco
Na levada do samba
Na colheita do canavial
Vez ou outra,
Ele grita num poema
Me cala num beijo
Num choro
Mas mora mesmo é no teu olhar



não é de terra o que se tem
é de mar
é da dança da água
a que não para, subverte
verte
.
não é de ar o que se viaja
é de rio
entre margens
no lambido veloz ou lento da terra
.
não é de fogo o que se queima
é de dentro
do peito
é de amor.
Encaixado no dia, um gesto da noite
enxugar o que trouxe a água dos olhos
um aperto
não de mão
perto, no peito

                                                                                                Para Maria Juliana, pela dor já sentida

Estas coisas da existência
do que se é
do que se passa a não ser
do que se tem
do que se passa a não ter
do que se é hoje
amanhã é lembrança
Os olhos de hoje
Não enxergam poesia na morte
só saudade

Sem poesia no peito
Porque da dor do outro
não se sente
senta-se ao lado,
Somente
Só mente,
     mente Sozinha

O instante de entender
a dor do outro
do querido,
mas que não se é ele.
Ele ainda há de pairar
no coração da menina nesta noite
sem pai.
Noite sem sorriso
sem conversa
sem chão
O chão-buraco
enfia-te nele, dor
some
Engole o choro, terra!
Faz flor neste terreno,
uma alma feliz
já que a noite longa
Insiste em brotar tristeza.
Estou prenhe da palavra
foi num descuido da preguiça e da ignorância
que ela se fez moradia em mim
Não sei em quanto tempo vou parir
mas ela se mexe, se contorce, torce em mim
Engraçado que eu imaginava que gravidez só mexia no bucho,
mas se reverbe e se escreve no corpo inteiro
verte no pensamento
na alma
eu me sinto prenhe de poesia
ora romanceada
ora contada
peitos rijos de alegria
a tristeza também tem seus dias.
Não sei quanto tempo ela vai se alimentar deste corpo
mas este mesmo corpo já se alimentou dela por uma vida
ó criança querida
tão sonhada menina jovem
pelas escritas que te projeto
protejo a senhora que canta e salta como criança
como anciã em pensamento leve de quem vai encontrar num próximo instante a oportunidade de nascer em mais um dia
eu estou grávida do meu pensamento
ele me tem feito mulher
feliz e astuta
vestida de princesa em pele de puta
ele tem deixado ultrapassar portas e saltar janelas muito além do horizonte
cada dia ele me conta um segredo
e não há criatura que se valha dessa aventura
eu estou grávida do pensamento
ele espera que eu aflore
eu espero que ele nunca flor
eu vou parir (n)um dia
para no outro germinar.
A palavra e a calada noite
Calada, mas com palavras crias!
Eu ainda estou prenhe.
de alegria.

Eu queria fazer uma música com isso,
contigo, comigo, sozinha...
eu queria fazer um poema,
uma música, um sexo...

Eu queria que isso não se perdesse.

mas insiste em ficar só no meu peito
ou nessa parada de confidências.
Quem sabe um dia eu não faço de você uma música, meu amor?
Quem sabe um dia eu não te faço
refaço/ me faço
no pensamento
numa tela
nos meus olhos?
Eu queria fazer uma música com essa minha história
um poema
um teatro
mas é que agora a minha disponibilidade
maior
mais sincera
é de transformar você em língua
em beijo
num toque
sem mágica
eu queria transformar você
mas deixo, por hora,
pra você fazer isso, meu amor.
Continuo querendo engravidar de uma música
tua.
um segundo: Te Amo.
Deixa eu cuspir esta palavra:
Indiferença
Ela deveria não fazer diferença
Mas diferença, já separa tudo
Os olhos e os olhares.
Vontade e fraternidade.

Já me apaixonei por uma flor
uma única cor
uma dezena de mulheres
e um único homem
por um cão
um pedaço de chão
uma música
uma letra
um nome
uma condição
eu já entreguei meu olhar a um estranho
                                     [um escândalo]
meu coração a um enfarto
mas foi desdenhado e não correspondido
eu já fui puta, cafetão, velha e marujo
dei o rabo a quem não merecia nem ter um,
quanto mais dois
já fui carregado bêbado, já fui largado
amado e desonrado
eu já fumei uma, duas, a inteira e a meia
entreguei minha alma a Deus
mas novamente, fui desdenhado
dei minha cara ao pecado
já fiquei parado quieto,
mas não deu certo...
o mundo todo caiu em cima de mim
Por isso, andei para dar à terra o que comer
Em outras horas,
não nestas,
me resta dar
estar
criar
crer e ser.
e um pouco, mas só um pouco:
                                                     Amar.

Meu último poema apodreceu
mofou das idéias
ficou no passado sem história
esquecido
sem ninguém pra contar
Meu último poema
é podre
é carne fétida
é obsoleto
Nascido a fórceps
meu último poema
nasceu morto.
Não lembro mais dele.



Na rua de chuva
o olho de sol
não seca lágrima
nem aquece corpo
contorce corpo
passando pela calçada
alçada de voos esquecidos
às putas contra-postes, a verba
aos pretos contra-sorte, o verbo

Na rua de chuva
a chuva lava as pequenas pedras
lança raivas pelas grande pedras
mas não lava alma
nem lança sobre os seus destroços

Nina quando os abriu, funcionou a olhar
em todos os detalhes,
as roupas de Antonio postas sobre a cama,
na espera do pós banho.
Na sala,
beijou os cabelos louros do filho cheirando à novidade
Bateu a porta
à porta do mundo
fechou os olhos para as horas passadas
atravessou o tempo
as ideias
os medos
soltou os cabelos
entregando-os ao vento
saltou a espera
De olhos bem atentos
varreu as vitrines da cidade
para além das cores e dos valores em cifras
adiantou o pensamento
pensou
parou
voltou a pensar
amassou o pensamento
e o depositou delicadamente no lixo das ideias
Realizou.
Andando ainda
Nina tirou a roupa,
embora se mantivesse vestida.
atravessou a passagem
Parou
abriu a bolsa
fitou o papel cor de rosa, um tanto colorido
enfeitado de carinho
e abriu, além do coração,
pela primeira vez no dia,
o sorriso.
Atravessou mais uma vez, a outra rua
conferiu papel e fachada
marcou o passo no elevador.
Na subida,
Nina ganhou cor
odor
liquidez
insensatez, chegou a pingar, até!
Abriu-se
Estava lá
ao fundo do corredor
no lado esquerdo,
como no peito,
a porta.
Conferiu
papel e porta
abriu-se ela em flor
em sorrisos muitos desde o primeiro
os dedos a funcionar em cachos novamente
cachos cheirando à novidade
cachos grandes e negros
misturados aos quatro braços
de Nina e Luísa.
Ao fundo,
o reflexo de carinho
no copo de vinho tinto.
A porta discretamente
pôs-se a fechar.

Deus insiste em aparecer em forma de mãe.
Volátil estÁtico

O canto estou
não mais aqui
este
é outro
não aquele
mas este ali
bem aqui.

ânima é estar cheio de Deus
vez ou outra, Ele anda por aí
em mim...
anda se travestindo de meu amor.

Tem dias que de chuva
tão lindos são
que parecem mais
do céu flores caídas
em lágrima de riso frouxo

preto de sol
soldado de sal
saudade de ter
findar o começo
reço meus atos
Raros, gastos, inatos
na noite que se destrói o meu peito
renasço feito no teu olhar
preto, brilha como prata
O olho denso,
O braço, tenso
O dorso pretenso
a embalar
bala fere, adoça
roça e passa língua
pele roça
preto, prata nata.

Quando me presto a escrever
a palavra cala
desempresta o olhar
à escrita
O corpo em chama por falar
cala-se no arder dos dias
as horas não se consomem, maltratam as palavras que se batem
por liberdade num corpo possuído por descontentamentos e desilusões
Grita palavra
Grita!
Sai na liberdade do pensamento
usa tuas asas de consciência
e teus pés de emoção
usa deste corpo
desta voz que tu consomes e segue teu curso
Não calas, querida!
Não te calas.
Não te pele
expele!
não te freies
desce a ladeira da expressão que te cria e consome.
Quem me dera descobrir um dia
que na palavra eu canto
a liberdade.
À liberdade, a palavra
À palavra, a voz
À voz, a coragem
À coragem, a gente
A gente toda contida na palavra todo.





ando devagar
porque a pressa
já me faz perder
a paisagem

Cada vez que ele dormia
sonhava um sonho bom
um sonho ruim
                                            sonhava
Cada vez que ele deitava
aflorava
toda noite
ou até de dia
o som
do sonho.

Mas um dia,
de noite,
em sonho,
ele descobriu que sonhar
era solitário
e forçou o sonho a encontrar uma companhia
dias de pesadelo...
noites a dentro...
Sonhava só.
Um dia,
acordado no sonho
cruzou a noite uma moça linda de morrer
de se vê na noite
Então, ele não mais dormiu neste sonho
manteve-se atento
puma leve
quando a presa dormiu
pôs-se a deitar em terra,
ao seu lado,
na esperança de não viver mais um sonho sozinho
e a surpresa foi grande
quando na noite, já dormindo, ainda em seu sonho
entrou no sonho dela
e a beijou como beijo de sonho
com gosto de goiabada, de creme...
E o som da verdade dormida e sentida
arrepiou-se em saber
quando acordado, que não era mentira
sonhara com a moça ao seu lado
no momento que ela virara realidade.
Passeando pela orla de Boa Viagem,
meu pensamento forma-se em mar

não pelo lado do mar
mas pelo lado do homem

Perguntava-me se o que se deseja
é mesmo o que se quer
se o que se tem é mesmo o que se quer
se o que se mostra é mesmo o que se é

Não há nada de novo nisso

O novo foi olhar que entre mil janelas de um apartamento de muitos mil’s,
um moço fumava entre as maiores janelas fechadas
Enquanto eu que nem varanda me fiz dona
tenho um mar inteiro a baforar
Mas casa eu queria
e ele, um céu aberto a tragar.
Não era um desejo, era uma observação.

Quem sabe o olho de lá dissesse:
- Ela tem um mar, um céu sem paredes.
E nenhum cigarro no bico
Mulher é bicho burro mesmo!

Mas eu só enxergava a fumaça.

O que eu quero da palavra
não se explica num papel

O que eu quero da palavra
vai além da letra/ da voz

O que eu quero da palavra
é a vontade do povo
de palavra
a palavra.
você chegou manso
        porta aberta
        tem um tempo
        veio buscar o amor em casa

eu cheguei mais
       pela porta
       neste tempo
       vim buscar o amor
                        em casa

                        pra casa

Antes, Surpresa
Hoje, Certeza.
                        
                       Amanhã é Hoje.

terça-feira, 6 de março de 2012

Encaixado no dia, um gesto da noite
enxugar o que trouxe a água dos olhos
um aperto
não de mão
perto, no peito

Voltei a publicá-los

Eles estão guardados na máquina,
mas a cabeça insiste em humanizar
dividir
não se sabe com quem
até comigo mesma
mas o grito, grita
mais alto e com todas as letras
neste peito
estão postos
a postos, os ditos pensados e nem sempre articulados.
não é de terra o que se tem
é de mar
é da dança da água
a que não para, subverte
verte
.
não é de ar o que se viaja
é de rio
entre margens
no lambido veloz ou lento desta terra
.
não é de fogo o que se queima
é de dentro
do peito
é de amor.

terça-feira, 1 de novembro de 2011

Para a Namorada!

Eu vou inventar uma nova língua pra me comunicar contigo

Uma que seja só nossa
Uma que não profere dizeres, mas diga muito
Uma que seja duas
Uma minha e uma tua
Pra que a gente
Se toque
Se escute
Se cheire
Se veja
E encontre
Além da silhueta
Além do contorno
O que o coração sendo precoce
Sentiu!
Sem que haja a necessidade de ser dita uma palavra.

Vou chamar essa nova língua de Amor.

[para Rita

terça-feira, 25 de outubro de 2011

Para o Namorado!

Quando a palavra virou qualquer coisa.

mas eu ainda precisando dela pra calar
mas quando do calar
é preciso falar
eu me arrisco a tentar dar a ela a vida
a vida que me atenta em cada beira de pele.
É da vontade de externar que me roga a beleza de falar
sem saber me travestir do belo letrado
a tentativa me inquieta
e no erro vou acalmando minhas letras ainda não paridas na companhia de uma e de outra
porque como já me fiz dizer
juntando de pedaço em pedaço
a palavra não quer dizer nada mesmo
quem o quer sou eu
mas me falta coragem pra dizer que daqui a pouco é amor!

[Para Rafa]

domingo, 21 de agosto de 2011

de se esperar...



o menino tinha idade certa
não se sabe ao certo
mas a idade tinha, certamente
ele já podia sair de casa
saía
voltava
saía
voltava
ele podia sair
tinha idade certeira
de quem sai
e de quem chega
tinha dia que certo de sair
ele cruzava o tempo
e sem saber do que o movia
cruzava a vida
O menino já tinha idade
mas não compreendia
antes de sair de casa
o que ele via na cruzada do dia
era gente
era coisa
era animal
o vento, a luz, o dia, a noite...
e ele não entendia
o mundo parecia provocá-lo
ele acompanhado de si
via as companhias dos sorrisos dos outros
o peso de um afago leve no rosto
o preço do café em família
de um aperto de mão
e ele crescia?
no rodopio de um pai com o filho na praça
os olhos se enchiam de dúvidas
no abraço coletivo de amigos
a boca de desejo
o peito de sonho
mas ele via?
um sol que desfilava suas cores
um mar apressado
uma lua a mudar de roupa
um vento que afinava a voz
uma estrela desnuda?
ele sequer abria o canto da boca
nem pra dizer adeus
da idade que se despedia
e não mais tinha o menino.


[foto da Ilha do Massangano - Petrolina - Aldeia do Velho Chico - SESC - agosto 2011]

domingo, 19 de junho de 2011

Quando ela acha por bem

se sacoleja e se arranca da cama em três tempos...
não quer ser acordada
não usa relógio para não ficar presa ao tempo
Ao objeto
Aos compromissos
Levanta. Usa o banheiro.
Olha o quarto, sem ver.
Sai deste canto. Calada.
Faz um barulho com os dentes para se sentir.
Evita o canto de um animal qualquer na janela.
Põe a roupa que não carece ser passada, não carece de arranjamento
É tida, é toda, é tudo que é feito para ela sem a encomenda do desejo
Somente do que chega
Nada lhe faz falta no estilo, cabe em tudo
Empina um beiço quase carmim
Se aninha no cabelo, os dedos
Usa das unhas para dar fim a um cravo
Percorre uma milha do próprio corpo
Até se sente, ressente, assenta, o cento de pele que lhe cabe
Volta ao banheiro, ainda com a porta esgueirada que deixara pra trás
Passa pelo quarto, como quem vai fazer um check-out de hotel
Desce as escadas sem lembrar do corrimão
Sem se importar com os degraus
Atravessa a rua
Anda, anda, anda
Às vezes, voa.
Às vezes, se põe asas vinda de um não sei onde
Às vezes, se amarra num banco de ônibus
Até o sem fim
Andando por horas não computadas
E desce quando quer
No meio do nada
Ou bem no meio de tudo
Vestida de trator
De ignorância
De prepotência
De cegueira do outro
Passa assim, como quem não precisa do olhar de quem a vê
Certa da observação
Passa somente.
Só passa.
Mas incomoda
Não pelo cheiro, pelo andar,
Pela pele de porcelana, pelas ancas a marcar o tempo
Nem tão pouco pelo belo desenho de Deus na boca
Nada disso.
Incomoda, ela
A todos,
Pela companhia que a acompanha...
De mãos dadas:
Ela e a Solidão.


[Esse texto é pra Vanessa Lins, amiga de conversas longas e boas como um bom café ao entardecer no Recife Antigo]

segunda-feira, 25 de abril de 2011

Isso não é pra virar música

Tem dias que não se é.
Tem dias,
noites
meses
e já já o ano.
que não se aproveita a dança
Não é pra virar música o hoje
é fazer dela, silêncio
não é só calar
é ser
somente
um ser.
E tem dias que não se é
ou quase se é.
o quase
engole quase por inteiro
é metade
ou quase metade, já que é quase inteiro
e não o inteiro
quem sabe o meio
mas nunca lá
sai, mas não chega
quase se é
não nasce
porque pra viver
tem que ser por inteiro.

sexta-feira, 31 de dezembro de 2010

"Qual é o som de sua voz?"


pegando carona nas asas de quem sonha alto
vou tecendo os meus próprios voos
até eles ganharem as suas próprias
asas
cores
luzes
real
entre as tantas considerações do ano que me deixa
fica o aprendizado ou a experiência dos erros
das descobertas
das negligências
ficam pessoas
sonhos não realizados, congelados
ficam
entre tantos
ficam mais fortes
as pessoas e os momentos
de bom Tom
de boa música
de boas praças
encontros
os ganhos de 2010
estão em 2011


porque andar de mãos dadas ao tempo
é chegar daqui a pouco e ver que ele avançou
e você também
num salto é amanhã
é daqui a pouco
foi ontem
já era
é na verdade, agora


travestida de promessas
veste-se de não acreditar mais no esperar
mas do viver
do pouco reclamar
do pouco tédio
do pouco entojo
traveste-se e se é
por tantas vezes nesse próximo
de mais sorrisos
de mais crença
de mais cultura
de mais arte
estrutura
de leitura
de lazer
de trabalho sem fardo
de café
de música
de água
de fé
de afeto
de abertura
de conversa
reflexa
reflexo
de agitar-se sossegado
de sonhar acordado
e dormir realizado
de beijar e ser abraçado
de afagar
olhar para um outro
um lado
o Outro


olhar e ver mais
misturar-se sinestésicamente
não é bobagem
é agir
e agir é estar atento
a não estar fadado à morte
antes dela mesma ter este interesse de olhá-lo
e enfadar-se com a visão


meu pedido
minha promessa
meu desejo
meu sonho
minha realização
é esta:
estar atenta a não estar fadada ao comodismo
que tanto conheço
no outro e em mim mesma!!!


Um ano gordo de criatividade e saúde para todos os meus casamentos de olhares, desde aquele que cruzou um segundo de olho comigo, aqueles de horas, que sabem dar cor que me alumia, do brilho verde, da cor de mar assanhado que reside nas minhas curiosas bolas de olhar e ver...


[Fotografei uma aquarela do livro recém comprado para meu sobrinho Rafael, meu pequeno príncipe, um livro que de tão lindo, vou ser tutora dele até Rafa completar a idade de interesse por ele e cuidar da rosinha e do menino do planeta B612]

terça-feira, 21 de dezembro de 2010

o silêncio também grita!



Desde pequena "a mãe de Jane" disse que
ela tinha os olhos e coração tão grandes
mas tão grandes
que o mundo inteiro lhes cabia
numa só piscadela
numa só batida
mas que de tão bom que era isso tudo
tinha também a batida ruim
de ver tudo
de sentir tudo
intensamente
vislumbradamente
até o que não se sabe ver
do que não se devia sentir
e que difícil mesmo ia ser controlar
o visto
o sentido

eis aqui
ela
sem controlar muito bem
o que se vê
o que se sente

com um coração apertado
montado para presente
em tempo de festa
sem fazer a festa
das verdadeiras comemorações
os olhos
embrulhados em poesia
cega
e tolhendo uma liberdade
que acenou em aparecer
ainda ontem!

Bem ainda que logo mais tem noite
pra chegar o dia de amanhã
sem lava
sem aperto
porque a "a mãe de Jane" esqueceu de pontuar
que além dos olhos e do coração
tem ela grande vontade
de ser
novas ideias no amanhã
novas músicas...
o silêncio também grita!

segunda-feira, 29 de novembro de 2010

uma pausa

   toca o despertador

duas pausas

   toca o peito de solidão
   o pensamento em desilusão

três pausas

   passa você aqui
   passa você
   passa

quatro pausas

   um beijo
   demora
   mistura
   finca

Toca a sineta da realidade

pausa

   olho abre
   coração acelera

pausa
   o choro
   a noite
   os sonhos
  
Sobra tempo
para se encher de obrigações

sobra tempo
cresce o tempo

fica curto
muitocurto
pouco curtido
quase nada

tudo cheio
de escassa hora
da essência
do seu humano

fica o animal
respondendo a estímulos
Estar irRitado
nunca foi estar cheio de
nem chateado com
Estar irRitado
é estar pleno de Rita
in-Ritado
dentro dEla
tomado por Ela
na mais perfeita irRitAção
minha pequena flor:
entre as pernas
há uma abertura sem fim
entre as tuas folhas um colorido esverdeado
pleno e instigado pelas águas vindouras

minha pequena flor
o que tu me dizes
me arrepia
me contorce as ideias
me incomoda
porque és tão pequena
és tão minha
minha, tão pequena

que o mundo todo não cabe em mim
diante da felicidade
de vê-la crescer
tão pequena
tão grande

há um buraco, pequena
já
no meio do meu peito
quando tu resolveres ganhar o mundo
o meu mundo
para além dele

ah, pequena
se tu não tivesses todo esse tamanho
serias colocada em meu ventre, amada
em meu seio
em meu leito
bem pequenita

mas aos meus cuidados
aos meus olhados

e serias tão formosa
mas tão bela, flor
mas tão desconhecida
e bruta flor matuta

pelo zelo que te terias
não a deixaria levar uma poeira se quer
tão pouca chuva
nada de vento
e um tantinho só de terra

somente o ar de minha boca

e a guardaria em meu livro de cabeceira
até que durasse a minha memória para além de suas páginas
Elas contrataram
receberam
apresentaram
beberam
comeram
rezaram
amaram
recitaram
e fuderam poesia a noite toda

passaram carmim nos beiços

ajeitaram as saias

subiram nas bolas do Recife Antigo

e "nunca mais foram lá"!

A ressaca das ideias desta literatura
entre as elis's, as regina's, as anna's e as rita's...

Safira

Vermelho colar
escorre
pelo busto laranja

Cabelos dourados
escondem
poéticos sorrisos

Sapatilhas
pisando em sustos

Olhos verdes encantados
vestidos brancos
galegas canções

A beleza expressiva grita
vem chegando Rita
Machucando corações

Por Malungo, o poeta, em 18 de novembro 2010.

sexta-feira, 19 de novembro de 2010

Desculpa, minha querida veinha...

Aperto bem forte entre os dedos um fruto chamado caju
o sumo se esvai
fica a fibra
a carne
e puxando em lascas verticais os pedaços
pouco a pouco
meus dentes perfuram esta carne
rumino a fruta...

A sensação que tenho de repuxo no coração
quando discuto com você é esta
parece meu coração um caju
despedaçado
ingrato quando lembro que é ele mesmo que pulsa de amor
por você
por um outro
ele atrai
ele me trai.


ingrato quando ele se apunhá-la
e sabe que doendo nele
dói mais em mim...
e que o ruminar as palavras
aumenta as fibras a serem repuxadas
engolidas neste órgão dúbio, meu coração...

desprezo em mim essa rispidez
quando é com o outro
e principalmente quando o outro é você

desprezo em mim essa fraqueza
de não ter ainda maturidade
de somente escutar
reconhecer esse meu lugar
em baixo das tuas saias
esse que nunca saí

desprezo em mim ter agora
que estar aqui falando novamente pra mim
que já ouvi o meu algoz interno
que me falta ser mais cortês
que me falta ser mais uma filha
que uma velha amiga chata

desprezo em mim
essa falta de coragem
de discar e pedir uma sincera desculpa

e fico eu mesma chupando o caju passado
da fruta do meu coração.

odeio quando faço uma "poupança" de mágoas
e as deposito em sua conta.

quinta-feira, 18 de novembro de 2010

o microfone (agora) é a única coisa que me resta nesta madrugada... tenho pressa em calar...



Na inteireza e verdade de me encontrar
estou me perdendo
o cansaço me consome
a mentira me assume
a canalhice me aparece
se enfeita
me afeta

a mansidão se instala no peso
no peito
o corpo responde ao estereótipo
não responde ao pensamento
que já não responde ao sentimento
que não
que não
nem que não
o não já não tem mais o peso do não
e o sim, perdeu a graça de aproveitar o vacilo do não

nada em mim
está em mim
nada
essa que estou não sou eu
essa que sou, não é mais neste instante em mim

não me sinto confortável nesta paragem
por favor, me devolvam a mim mesma!

nada está em mim
devolva meu pensamento
minha escrita
minha literatura
minha opinião
meu consolo
meu choro
meu riso
meu ódio
devolva ao meu corpo
o MEU corpo
devolva à minha vontade
a minha gana

devolva !
isso só tem vida em mim
se é que existe isso em mim.

porque estou travestida de felicidade
que não é a minha
é a clandestina

mas sem o sabor vivo do proibido
é clandestino no pior sentido
daquele que foge
que entra sorrateiro
que invade
e estupra a alma

devolva um pedaço da minha mansidão
da minha hora farta de falta de não fazer nada
(aquela do café)

além de me inteirar com o que tenho feito
devolva as rédeas destas minhas horas que ainda não gastei

que estão vindo de encontro a mim
tão velozes
tão atrozes
algozes desta reconciliação comigo mesma

devolva o som do meu peito neste grito calado
que mora em mim estes dias
junto a uma alegria cega

eu tenho mais em mim a dar
mais que uma simples execução de afazeres
eu tenho mais em mim a dar
mais que uma simples ordem de pagamento
eu tenho mais em mim a dar
mais que um telefonema de contrato
eu tenho mais em mim a dar
muito de colocar o pé no mundo
e dar
a mim uma alegria de perna ao ar

me agarrar na poeira do pensamento
percorrer léguas numa rede pendurada à sombra fresca
provar a agitação do silêncio
a maciez desta pele
no calor de um abraço
de um braço dado, colado
apertando o outro
sentindo estar vivo
impulsionando o sangue destas veias que falam
percorrem o corpo desta mulher
desta amiga
desta filha
desta amante
desta cível
desta hipócrita
desta cínica
sonsa
sonhadora
mentirosa
artista
criadora
infame
desta que mora em mim e tem
as qualidades e defeitos iguaizinhos
a de um mero e grande mortal

ela que não morre em mim
é imortalizada em sua inteireza
se esconde por trás deste cadafalso
prestes à executá-la nesta praça de suas entranhas

tenho mais a dar
que este pensamento
não menos que um bom olhar de um por-de-sol
dar uma boa risada
de ter o prazer de desfrutar dos ambientes
de conseguir lembrar ao menos uma cor
do último lugar de pouso entre as minhas asas de borboletas
de lembrar de um sorriso ao final do dia
até mesmo lembrar da última reunião tida entre os meus olhos

tenho eu uma imensidão de sede
de ficar parada em mim um instante
para ficar viva em mim

e passear por um segundo no meu corpo
no meu juízo
no meu sentimento
afagar os meus cabelos
os meus próprios dos outros

garimpar
separar
ajuntar
passar
de bem
de boa!

isso não lhe é de direito
é de natural
querer-se bem!

segunda-feira, 1 de novembro de 2010

A saudade travestida de desejo ou somente uma vontade de inventar história....

A saudade mora nesta árvore
assim como se enrola em seus braços
esta criatura
saudade das mais ridículas
aquela dos seus sonhos bem cerrados
aqueles que só seus olhos bem abertos
conseguem sentir

A saudade travestida de desejo
aquela que ousa passar
aquela que ousa enfeitar-se de flores
aquela que ensaia passar
quando vem o espetáculo?

Mas o que se quer dizer
é que os arroubos são frutos de um desejo
e que eles não passam de arroubos
pela falta de combustível
ela ainda está descobrindo a sua energia natural
aquela que não vem do outro
mas do seu querer

nela tem sido difícil contentar-se
com a ausência
e no discurso que não se quer
daquele sorriso
basta!
ela se retrai

está seduzida
não se sabe o que a fez assim
este verde ou o vermelho
a sedução é uma cobra
que a boteia e vai embora
não mostra o pau
esconde -se.

mas se  nestas letras há um arroubo de palavras
os sentimentos são espelhos do tempo
não param
progridem ou se transformam

estes arroubos
não os leve tanto a sério
não ria da inocência dela
brinque com ela
não cale o seu discurso
a sua literatura pode depender dele

mas se é escolha estar ausente
apresente-se a isto
colha a sua vaidade
ponha-a num saco
e não acredite em seus arroubos
não os leve tanto a sério
não os leve
deixe-os

deite na cama desfeita
porque a menina também é mulher
e pode estar abrindo mão de uma tormenta
para aproveitar um dia de sol
sem muitas palavras bonitas
mas com a companhia dela mesma.
crua e seca.
sem arranques
sem falácia
sem desejo
feliz, somente.
crua e nua.
desnuda desta conversa cega.

É somente uma vontade de inventar histórias..
Embora tenha um pouca da dela e desta-eu

Ela também sabe ser uma flor-bruta!
pequena entre as árvores, mas também bruta.

sexta-feira, 29 de outubro de 2010

quando se pensa somente na gente
o erro cresce, salta aos olhos
o diálogo vira um livro de romance
a pinta vira uma mancha
o tombo vira ferida
uma palavra vira música
e esse dito uma novela

quando se pensa somente no outro
a dignidade desaparece
as pernas estremecem
perde-se a vergonha
vira-se sombra
perde-se o sol

Ninguém quer isso não.
Me forme em uma frase de cada, por favor!
Quando se quer não há tempo ruim
quando se quer não há corpo cansado
quando se quer, há.
somente.

E havia uma vontade falar...
que foi calada!
e havia uma vontade agora de calar...
que foi acatada
acomo-dada!

"é justo,
é muito justo
é justíssimo!"


porque ler um livro pela metade
e contar sua história
é acima de tudo, criativo
louvável
é ir além...
mas NÃO é a mesma história do livro.

Desculpa boa é chupar picolé.
[Indo à carrocinha de sorvete curar a amidalite...]

e o que é que essa seca tem?

Não há jeito, parece
se a semente não for boa
nem água tanta adianta.
e essa chuva nem veio de uma só vez
mas a danada da semente
nem mesmo quis chupar da terra
seca é
seca chega
seca.
e ela firme, forte, mas seca.
tem lá sua beleza!

sexta-feira, 22 de outubro de 2010

E o que tem para amanhã?




E o que é que tem?
tem um rancor suicida de hoje
tem uma fala morta do ontem
tem uma lembrança cega de agora
uma vontade amolada
feito fio finíssimo de lâmina
vontade de estourar a carne na unha
no dente
no olho
tem um cheiro forte de saudade
tem uma língua cortada pelo desejo
cortando o corpo o desejo
nu desejo
uma cara suja da tinta da beleza
tem uma outra beleza
oh feia, que dó!
um silêncio naquela boca profana
daquele desejo
daquele instante daquele corpo daquele outro

um eu
um tu

é o que tem para amanhã
bem cedo.
Porque a noite me atenta!
à noite me atentam
tem um gosto
um gozo
um outro

estou me asseando
trocando a pele
tranc-afiando o meu limite!
regurgito este ontem
um bem ao que tem para amanhã no menu.
é isso!

domingo, 17 de outubro de 2010

é o que tem pra hoje...

catucando a minha política interna
abrindo um buraco
tecendo fogo nas minhas crenças
abafando a fumaça com a boca
para enfim,
assanhar a onça do mundo com uma vara bem curta
e com língua áspera de gato
me esfregando nem no homem/ nem na mulher
na gente!
roçando o meu rabo no mundo.


.......................


é tanta letra junta
é tanta tanta palavra separada
que eu vou virar muda de imagem e som
para acertar esse fio da jornada
"só zoiando elas procriarem
nas minhas oiças"
e então virar som e imagem
minha imagem
meu som
minha palavra!


.....................


Minha boca tem merecido mais
cor
beijo
silêncio
que palavras

........

terça-feira, 14 de setembro de 2010



Desejo é desmedido

Vontade é promissora
um desconhece a razão
o outro dribla a emoção

o desejo consome
a vontade raciocina
o desejo desenha
a vontade apaga
ou colore ainda mais o desenho


a vontade realiza, impulsiona, avança, concretiza
o desejo é criança, titubeia, é incerteza, é conflitante
a vontade é o dínamo das relações e pensamentos
das execuções das boas ações
o desejo é carnal, visceral
a vontade é racional, dirigivo, persuasivo
o desejo enlouquece
a vontade exerce...

[still do video poesia: 'Nós', dir. Victor Dreyer]

sábado, 11 de setembro de 2010

vem em cheiro
o café
vem em cor
pura cor
quente
ele canta
o outro toca
eu sinto
bebo
'abre a janela para ouvir estrelas...'
ele cheira
o café toca
eu canto
o outro dança
quente
salta a janela
já raiou o dia.

sexta-feira, 20 de agosto de 2010

.


A mais 'ridícula' das saudades
é aquela construída na imaginação
dos encontros e afagos que nunca existiram
de um passado calcado num protótipo de futuro
saudade em nome do desejo.

será que se apaga?
será que se consome nos revés dos dias?
será que é fogo
ou já está virando brasa?

em tempo de me queimar inteira desta vontade
na fogueira dos meus pensamentos,
não queira Ele que venha a tempestade
para não inundar o que me arde!

'ridicularizada' pela minha própria saudade
que é latente no relógio das minhas horas...

terça-feira, 10 de agosto de 2010















Seu Chico é testemunha
da felicidade instalada em
meus olhos ao tocar-lhe...
A alegria foi tamanha
que ele mesmo chorou
e molhou novamente
meu pés...
felizes!


["bonita não era ela,
bonito era os zóio dela..."]
...


...
Era uma terra quente
nela tudo brilhava
era tanta luz que nada se podia ver
Mas quem vem lá?
Mas veio lá
A tarde morena
Nela, um pedaço era Lua
um outro, era Sol
Mas agora, nela tudo se via
e o que era de mais lindo
virara ouro.
.serenidade.
Entre os desenhos formados pela breve luz
um feitiço, um mistério ia caindo aos poucos
trazendo a noite 
e dominara o Sol, a Lua
e tudo que aparecia em luz,
foi-se aos muitos se guardando
foi-se embalando na saia da noite...
Trouxe a morena, agora pretinha, bem pretinha,
o avesso do brilho
e era tão parda a noite que nada podia se ver...
Era uma terra fria agora
não yerma, fria somente
porque entre braços e abraços
quando fecham-se os olhos
cai novamente uma tarde morena
um taco de Lua/ uma raspa de Sol
...E era mesmo ela uma terra tão quente...

[O Velho, o Chico, 'eu, eu mesma e Irene']

terça-feira, 22 de junho de 2010

Dudu! cuidado com a rima...

Eu disse a ele:
"Dudu, vou ter que escrever um post pra tu agora..."
Acho que o jargão 'boa praça' foi criado pensando-se nele
ele é absurdo!!!
Consigo cair todas as vezes nas suas conversas
ninguém me tira tão fácil do sério como ele
Todos os dias me impressiono com tamanha desenvoltura e 'cara de pau'
chega a ser bonita a sua destreza
algumas vezes é a pessoa mais chata que conheço
mas muitas, muitas
é das mais caras
é do meu rol de queridos
um dos mais
raro.caro.transparente.
amo demais.

...agora entra ele na sala
com uma carinha de bunda-lisa que só ele tem e pergunta:
- 'Bunita, tais aprontando o que?'
e logo em seguida:
- 'e ai, bora simbora?"
Agora me diga, meu caro teclado?
Qual o nome do boteco da vez?

e lá vamos nós com nosso fiel escudeiro, 'Lusca'
porque melhor que trabalhar
é trabalhar nesta empreitada de doidos todos os dias
que Ele conserve esta casa de fazer malucos, chamada Santa Rita
e que além de dispostos, continuemos sempre a bons amigos
independente se vai ser no trabalho
no Burburinho
ou qualquer dos bares do sul, do norte ou no Central...
Eu ainda não entendo...
Mas tem algo aqui que está cheio
Não pleno. Cheio.
Espero sair ilesa desta conjuntura de atropelos
neste dado momento
que além de aprender
eu possa realmente ser útil
possa ser ainda mais forte, resistente
para estar junto aos meus amigos
aos antigos e aos novos
aos tão poucos imaginados
aos que já cativei
aos que já sou responsável.
Não é ser duro, pedra
é ser um pouco água
adaptar-se
sanar a sede
é invadir sem ser tempestade...
e diga-se de passagem que em tempos de cheia,
não é bem uma boa metáfora
mas uma pequena alusão que tudo bem dosado
é bom,
e que o contrário também é verdade!