quarta-feira, 17 de dezembro de 2008

Do que parece água...


Dando adeus ao que não é de Deus
dando boas vindas ao que é bem-vindo
desistindo do que não é de insistência
realizando o que era apenas sonho
insistindo no que não tem raízes
rindo do que ainda não é piada
acreditando no que não é de deixar parado
abdicando de uma saia-justa
vestindo a saia-justa, justíssima
é muito justo sair assim:
dando a Deus: boas festas
e recebendo outras tantas
do que o branco do meu rosto
são tuas claras conversas
do que o negro dos meus olhos
são tuas raras vontades de olhar
mas são sinceras,
pontuais
exatas
perfeitas
dentro de uma perfeição inexistente
é mesmo assim:
perfeita a tua pontuação em nunca desistir
de um olhar
de um ponto certo de lindas paisagens...

[jogando a cachaça e a ressaca fora...]

domingo, 7 de dezembro de 2008

diferenças entre o vazio de um copo
e a fartura de uma mesa posta:
.
é a sede latente de um
e o fastio desdenhoso do outro
.
é a vontade de sentir ao menos uma gota de suor
e a ojeriza do cheiro da carne do outro
.
é a vontade cega de sanar a sede
e a vontade burra de transformar a beleza
.
é a santidade de não esquecer o que foi provado
e a ignorância de quem nunca passou fome
.
é a riqueza da simplicidade
e a fraqueza da soberba
.
é a diferença de ter tanto e não dar valor
e a cecgueira de saber e não compreender.
.
é a beleza de quem já amou
e a aspereza de quem nunca beijou de verdade.
Por tudo que se renova
por tudo que se inova
temos muitas horas
muitas horas, tínhamos
todas as horas a nosso favor
agora temos os dias
espaçados em poucas lembranças
as mais reinterantes possíveis
as que não merecem segundos estacionados
as que não são para serem lembradas
nem como doces horas passadas
por tudo que se renova
caia a sua casca
e bata as asas
por tudo que se inova
mude a sua cor
a sua dor
mude
por tudo que se é hora
acorde
eu não quero mais contar
o tempo do meu curto-imenso abraço
eu não quero mais ter o curto-muito-curto tempo
de um mínimo olhar
não quero rabo-de-olho
por tudo que se enrola
me deixe livre
deus-me-livre
de tua ausência
deus-me-livre
da tua presença
deus-me-livre
de uma solidão 'contando carneirinhos à noite' sozinho
deus-me-guarde na minha pouca fé de muitos santos...
esta missa eu não quero mais rezar.
<<<
Não admitir
é afirmar o incômodo ou a culpa?
Não admitir infecciona...
saremos!
eu não tenho mais feridas tão abertas
mas elas têm cicatrizes
muitas, hoje, até charmosas...
saremos, por inteligência
pelo bem-estar do meu corpo físico.
não estacione mais em minha porta
não estacione
diga bem manso ao meu ouvido
que não há culpa...
admita!
admita...
admita e não culparemos a culpa alheia!
>>>

terça-feira, 18 de novembro de 2008

anotações de um guarda-napo-que-não-bebe!

e a minha razão
era menos lúcida que minha loucura desmedida
por alimentar o que não tem mais fome.

BURRICE VISIONÁRIA BURRICE

'Dispensei o divertimento da noite
pelo divertimento um dia futuro!!!'

penso-ativa


E o que é que tem escrever só pra mim?
porque eu posso ver do angulo que bem entender
me importo algumas vezes com o que você vai pensar
com o que eu vou pensar quando ler mais tarde
mas me importo muito mais
em falar do que me interessa
do nada
do tudo
de mim
ou de você
ou somente ficar calada
nem falar nem escrever
eu escolho
eu escolho o meu ponto de vista
o meu ponto de deslocamento
eu que vou pagar por ele mesmo!
só não quero fechar meus olhos
sem estar dormindo e nem me dando bem!

domingo, 9 de novembro de 2008

O palco de cada um


e tem espaço para mais bancos.

foto: Rita Marize

domingo, 19 de outubro de 2008


se eu hoje de manhã,
bem cedinho em meu coração,
não te visse,
acharia que ainda não tinha conhecido o sol
e se ainda nesta mesma manhã,
eu não escutasse tua voz,
não saberia o que é música,
e quão infeliz eu seria...
e minha alma não teria, uma flor se quer,
não brilharia em mil cores diferentes
quando do dia de festa em te conhcer.
...




[foto de Rita Marize, setembro de 2008. Set de gravação do Documentário: 'O Som que vem de Paciência', Rio de Janeiro - RJ]
...

Esse tempo que acelera minha cabeça
e atrasa o das horas feitas
atrasa o tempo de chegar
o tempo de espera...
e esse tempo de mim mesma que se adianta a mais que meu pensamento
é mais rápido que minha música
há algo em mim precisando de sintonia
há algo em mim precisando de conserto
mas ando certa de que dias e ares melhores virão
não sei de onde,
se é da zona norte
ou da zona sul...
mas vem,
o vento sempre passa na nossa nuca
mesmo em dia de sol quente...

...

[já descobri que meu mundo é feito de pequenas folhas , grandes desejos e numerosos, realizações pregressoras - quando de meu empenho, já descobri vontade e a falta de...
só me encontro hoje com uma vontade que as horas andem juntas com meus pensamentos...]

[foto de Rita Marize, setembro de 2008. Set de gravação do Documentário: 'O Som que vem de Paciência', Rio de Janeiro - RJ]

...

quinta-feira, 16 de outubro de 2008

Minha 'budega" tem cachaça velha

Quem tem sede?
quem tem sede de boa cachaça?
quem tem sede de cachaça?
quem tem boa?
quem? que boa?
sede?
cachaça?
quem mesmo?
tem?
pronto! Tomou passou!
é feito gente muito bonita,
põe mesa
ah, isso põe.
mas a gente come...
e ai?
e a sede?
e a fome?
qual é a cachaça da vez?
qual é a próxima comida?

Um beijo para uma flor...


Em dia de flor o céu fiica mais azul
a cidade mais colorida
e tem cheiro dela em todo os lugares ímpares...
em dia de flor
tem primavera nos olhos dos maliciosos
tem reforço de sutileza no coração do bobo
no dia de flor
não tem quem tire o brilho
de quem é feita disso
não tem quem esmaeça a intensidade
de uma alegria pintada de sol
em dia flor
nasce gente de cor da primavera
preto, branco, amarelo
nasce...
cor de rosa, azul, encarnado
nasce...
nasce dentista, estilista e artista
nasce...
meninas cheias de beijinhos na boca
cheias de sonhos prestes a dividir conosco em sua realidade.
tenho muitas primaveras bem vividas conhecendo uma flor destas...

[de presente em recado para o Coelho com garra de Leão mais Fabiano de todos: Bifa! Em 16 de outubro de 2008, num dia que não consigo falar com ela, mas que pensei todo o dia, como reforço de ser seu aniversário!!!]

domingo, 12 de outubro de 2008

Bissiga de Titia.


Porque minha Tia não consegue resistir ao meu sorriso?
alguém pode responder?
e é porque só tenho dois dentinhos, viu?
e tem mais... tenho um pé tão gordo, mas tão gooordo, que ela só morde, só morde...
[Minha Xiguinha mar linda do muuundo, Toda felicidade é bem vinda, no primeiro Dia das Crianças!] A Lôra e Rafael. Amo demais...

O que falta ao Recife!

Se o Recife tivesse grandes bairros cortando sua beleza
tivesse grandes avenidas, coloridas na noite pelos faróis de carros
se fosse ele, repleto de pontes e rios floridos de mangue e canoinhas de nada
se fosse o Recife berço de um grande carnaval,
'foco prolífero' de manisfestações multiculturais,
se ficasse ele todinho em festa, no dia que o sol se amostra
e fosse ele, a capital do meu Pernambuco,
Meu Deus,
poderia ter ainda assim,
alguns descontentamentos da falta política e humana,
mas com certeza, seria um paraíso na terra!

Quando eu era menina


Quando eu era menina
tinha sonhos em cima das nuvens doces de algodão
meu perfume era o do mundo
meus pensamentos eram todos mais que sonhos...
eram realidade.
quando eu era menina
não tinha medo de ser grande
nem medo do desconhecido
nem medo em meio à curiosidade,
tinha muita curiosidade,
tinha vontade e desejo salientes de aprender
de sorrir
de me sujar
de me machucar andando de bicicleta
porque os meus medos vinham depois da vontade de superá-los.
quando eu era menina
minha boca tinha beijinhos
minha boca tinha um pobre vocabulário, mas já conjugava o verbo amar...
meus olhos eram coloridos, não eram só verdes
eram coloridos em todas suas escalas
meus olhos não tinham filtros...
não tinham.
quando eu era menina,
pouco tinha vivido
mas tanto tinha sentido
tanto, tanto...
quando eu era menina
tinha uma paixonite
e uma esperança de ficar grande
e ter um amor
e ter
e ter
e nunca saber o que era dor
quando eu era [bem] menina,
faltava eu crescer e conhecer mais rodas de brincadeiras
rodas da roda-viva
desta roda-viva-roda-vida
onde não se pode demorar num mesmo canto
pra ela não passar por cima
quando eu era menina,
às vezes, eu esquecia que tinha o amanhã
e vivia os melhores dias da minha vida por inteiro
como se fosse o último
com a sinceridade de um beijo de mãe

quando eu era menina,
fiz um pacto de não deixar de sê-la
nem quando eu escrevesse
'quando eu era menina'
pra nunca abandonar a beleza de ser
de ser curiosa
de ser aprendiz
de ser a primeira vez
de ter a primeira vez de tantas
de muitas experiências.
fiz um pacto dela não me largar nunca
mesmo em dia de encontro de muita gente grande
que era pra poder a menina se rir muito do grande vocabulário que ela juntou
e que hoje serve mais para complicar e mascarar
do que para ser livre...
mas se é assim
quando eu era menina
ainda é hoje!
e eu rio de mim mesma
sem maldade
mas de graça da palhaça que às vezes, me transformo.
...
[me olhando às avessas, mas sem devesas, nem rancor, rindo de mim mesma num dia maravilhoso em que ela está em casa, escutando conversas de outros mundos que nada têm em comum com o mundo que lhe interessa, com o dia lindo que lhe espera, espera, espera...]
Porque hoje também é de das crianças que cultivamos em nós. Para meus amigos, que ainda vejo como boas companhias de brincadeiras de rodas de outrora...

quinta-feira, 28 de agosto de 2008

um amor assim
assim bem de pertinho
é tudo que dona sinhá quer
um amor assim
sem me preocupar com a maldade que seus sonhos carregam
sem me preocupar com a novidade na praça
sem me preocupar com os caminhos que seus pés ocupam
sem me preocupar em estar vazia
assim
bem de mansinho
feito puma satisfeito com a caça
assim feito café
quente, forte e doce no ponto
pronto pra beber
jamais frio
assim
feito vontade saciada e logo renovada
assim feito melancia suculenta
assim, redundante
suando a mil sem correr

ousado
simples
assim, cheio de contradições coerentes
é possível
basta se vestir de humildade
e ir além de um café pequeno
assim, logo cedo de manhã
sem se demorar
assim, agora
quase para ontem
eu senti.

Hoje eu estou querendo esconder quem sou
pra poder me revelar...

Hoje estou deixando quem eu gosto
pra poder amar mais...

hoje tirei a maquiagem
pra revelar minha beleza...

as minhas saias estão longas
pra revelar a beleza das minhas pernas...

o meu cabelo não está liso, nem enrolado
tão pouco ondulado...
ele está com as curvas do vento...

fechei a boca de leve...
pra sentir seu beijo voraz...

silêncio...

eu abri os braços
pra enfim, sentir o raio de seus braços
sem divisão,
em espaço uno ao meu...

só por hoje,
esqueço que tive um ontem impróprio para menores,
porque a felicidade não precisa saber o que acontece em sua ausência,
esqueço também que existe um amanhã e sou obediente ao Renato Russo...
é preciso mesmo...

Recadinho à dona Bifa:

Tenho sentido saudades de um sorriso de Coelho
tenho juntado em pensamentos
muitas palavras e imagens de copos
ainda secos pelos desencontros 
tenho guardado em mim mais uns trinta abraços 
cheinhos de admiração da simplicidade e integridade
que ela me passa
ela,
dela
da Fabiana
minha parceira de viagens ao mundo infantil que tenho dentro de mim.

Tem dias que a gente está mesmo para agradecer...
grata pela sua graciosidade!


terça-feira, 26 de agosto de 2008

Abram alas à clandestinidade!

E a Felicidade é mesmo Clandestina, 'Donas ClaRices'...
ela não se apresenta às autoridades em defesa do que foi imposto
ela não se demora na perfeição forçada,
nem no excesso de desleixo
não tem endereço certo
ela mora nos becos
muitas vezes é prostituída à tristeza
(ela também conhece a tristeza,
precisa conhecer para combater)
é difícil vê-la nas grandes avenidas escuras
em noite de trovoada,
ela não tem forma certa,
ou seria fórmula certa?
Ela vive num sorriso da hora
num dia de sol despretensioso
num abraço nunca prometido
na chuva fina da janela.
ela é muito andeja
não tem raíz
fica onde menos se força sua estadia
é onipresente,
passa através de fios, pensamentos, sentimentos, pelo vento
até por fotografia
ela se veste de lembrança
de aceitação dos defeitos
de aceitação
de mudança coesa.
é tão clandestina que dói a sua falta de morada fixa
é tão clandestina que é maravilhoso tê-la em toda morada.
a felicidade usa all-star azul
e fica linda de escarpin
graciosa de sapatilha
e aconchegante de havaianas
quase-perfeita descalça...
ela é a hora
o momento
é feita de.
ela carrega brilho de estrelas onde passa
e as estrelas não morrem facilmente
é preciso muita cara feia e descrença nas fadas
pra apagar um sorriso da felicidade.
'Abram alas que hora da estrela
clarear sua via prometida'...




eu também tenho um coração selvagem cheinho de estrelas e gritos
mas a felicidade, tem em mim um terreno maior do que imagino
é do tamanho que sinto
quero assim que chegue pelo vento
a vocês duas,
duas jóias
com brilhos de estrelas
e um mundo cheio de descobertas a fazerem juntas
e sem imposição nem lei hipócrita
a felicidade é clandestina
mora onde a acolhem melhor!

[Em uma noite que dormi com a tristeza
e acordei clandestina envolvida por esta felicidade de conhecer
pessoas que preciso delas juntas pra me ensinar a viver melhor!]

O rabisco é Dona Clarice Lispector... ela que vem inspirando, azucrinando, felicitando clandestinamente todos nós da empreitada da Descoberta do Mundo. O rabisco é da Rita Dona Doida mais Clandestina do que nunca...

sábado, 9 de agosto de 2008

Pra quem gosta de boniteza!!!


Zoiudinha era feia que doía
Zoiudinha, como sugere o nome,
tinha os olhos maior que a vontade de ser feliz
o nariz mais em forma de bola que a lua
a boca maior que..., (vixe...nem quero dizer pra não assustar...)
quando zoiudinha saía de casa,
de tão feiosa,
todo mundo se ria dela
se ria
se ria
se ria, a barriga até doía e eu também dela ria...
ela se ia...
cabeça bem baixinha, ela seguia...
pra zoiudinha fechar os olhos à noite,
era preciso mil estórias encantadas de formigas japonesas, ou chinesas
(com tanto que elas tivessem olhos bem puxadinhos para não causar má impressão)
que iam e vinham na rua dos doces mais gostosos de todo o mundo...

(Ah, esqueci de dizer que zoiudinha era magra, magrinha, bem magra de ruim,
porque adorava tudo que derretesse na boca feito açúcar bem docinho)

zoiudinha, como toda menininha,
tinha um sonho:
ela queria ser grande e se tornar 'A princesa zoiuda em terra de cego'
aquela terra mesmo, onde quem tem um olho só é rei...
ela ficava horas imaginando o que faria
tendo duas luas gordas de olhos de 'um verde-quase-cinza' na cara
num mundo onde ela,
só ela,
enxergasse a beleza
onde ela,
só ela,
dissesse quem é feio e quem é bonito
onde ela,
só ela,
toda zoiudinha,
brincasse de se rir com todas as formigas japonesas
(ou serão chinesas)
onde só ela pudesse contar uma história assim:

"Zoiudinha era linda que doía
Zoiudinha era até chamada de lindinha
e como sugere o apelido,
tinha uma beleza indiscutível
tinha olhos muito brilhantes de sonho
e levemente salientes pela sua cor ver-esmeralda
o nariz dela era mais afilado que uma quina de parede
a boquinha..., vixe... agora vou ter que dizer...
mais desenhada que a da melhor boneca de seus sonhos
quando zoiudinha, digo, lindinha
saía de casa
até 'a banda tocando coisas de amor'
parava pra ver ela passar
silêncio total...
psssssssiiiu!!!
mais silêncio...
para sentir a beleza de lindinha-zoiudinha
e com isso,
ela se ria
se ria
se ria
se ria tanto, que ficava com a barriguinha doendo de tanto rir
e a cabeça sempre erguida
pra zoiudinha abrir os olhos desse sonho
dava muito trabalho
dava sim
dava tanto
dava até medo dela conseguir realizar o tal sonho
esse, onde todo mundo ia ser feliz
onde todo mundo ia ser cego de vaidade
e a beleza ia ser só sentida
a riqueza, ia ser o silêncio tocado todos os dias
nas bandas de música que não iam nunca,
nunquinha,
deixar de criar e tocar
canções de amores vivos, bem vivos
e gordinhos de bem-muito-querer..."


Às vezes, zoiudinha inventa de encontrar
pedaços espalhados de seus sonhos
na sensibilidade rara de músicos dessa bandinha
bandinha-inteira que toca coisas de amor
e ela sorri
ela sorri tanto sonhando
ela sorri toda sonhando
ela se vê além dos grandes olhos
ela se enxerga além de uma imagem-una
ela exala beleza pelos olhos-poros...



!para um gordo que me faz rir e lembrar de histórias cabeludas, sem ter cabelos
de histórias de caçadores, sem ter floresta
de histórias de pequenos amores, sem ter castelos...!

Canto de Ossanha com Elis e Chico Anysio.... Hilário!

domingo, 27 de julho de 2008

dando 'pitú' no medo.

meu medo me faz largar
meu medo me faz prender a respiração sem concurso
me faz andar descalço em pedras, em brasa
meu medo tem medo de sequer ousar sonhar em se machucar
meu medo não entra em casa vermelha
meu medo não dança em chuva
não embola na escada
não ri até dar dor na barriga
não come todos os doces do mundo sem enjoar
não me deixa conversar na madrugada...
não me deixa esse meu medo
eu que insisto em colocar algumas vezes ele de castigo
e corro pro meio da rua...
enlouquecendo de felicidade quem encontro, antes mesmo
que ele descubra que quem manda nesta casa é ele mesmo...
e não, minha breve coragem!

...

sonhei com a tesoura do desejo
cortando minhas saias
meus cabelos
meus pré-conceitos!

depende muito da escrita o entendimento!

fisica-na-mente e no pensa-men-to, qualquer tipo de dependência me dói
senti-metalmente me gritam uma música estressante em meus ouvidos recém-educados
qualquer tipo de 'carta não correspondida' me deixa solidária com a solidão
ela se aninha igual saudade no colo quando se está cheio de gente por perto e ela não morre
pior: aumenta a custa de seus pensamentos oníricos.
dependo tanto.
dependendo da situação,
as pendentes me assustam mais.

Maré cheia

Chutando meu castelo de areia...
os meus saltos já foram ao alto...
minha passarela foi desmontada
minha desenvoltura posta no lugar
minha timidez ao posto.
sentada na platéia a olhar o desmonte
tem vestígio da minha passagem em todo o canto
o espaço ainda tem a minha cor
sente-se o cheiro dela
a pose feita e criada por mim
toda festeira, nem de muita festa ela é.
olha de lado,
olha ao lado,
tem-se de tudo
não tem nada que quer
inquieto o lugar do castelo engolido pelo mar
porque a insistência em secar o mar
e montar altar para quem só tem o nome de santo
entre tantos gastos:
a minha descrença nesta reza e no santo.


Cultivando a oração da necessidade de se manter acordada...

pra quem não vê-la...

minha timidez interna, gela minha alma, vez por outra
minha falta de socialização, enerva meus encontros com o novo
minha falta de renovação desencanta a ousadia
minha tolice, cega meus planos mais arrojados
eu
fronteiriço ao tempo que escorre nas nossas mãos...
quem mandou me seduzir malvada honestidade 'male-decente'
quem mandou se 'achegar'
eu não quero mais me esconder
este lenço na cabeça não pertence a minha religião...
eu não quero
eu não quero
mas eu sou!
minha timidez impede de escrever coisas libertadoras...
de conhecer pessoas e lugares à brisa leve
minha timidez me fode, ops... me complica a escolha do caminho...
minha timidez escolhe por mim
ela se enfeita por mim
ela se afasta por mim
minha timidez mora em mim
tão sonsa, tão sonsa, que se ri de mim
tão sonsa, tão sonsa, que se faz de extrovertida em mim
tão perto, tão perto, que se some
tão presente, tão presente, que se é, sem querer ser
tão sonsa, tão sonsa, que se esconde em mim!

minha timidez tem 'pacto' com a saudade!

terça-feira, 8 de julho de 2008

agora mesmo que preciso de mais agua!

A esquisitice bateu em minha porta estes dias...
Não o nome, mas eu vi a cor dela
nao lembro mais se brilhava muito
não tive vontade
não tive saudade
nem desprezo
nem vontade de novo
quase nada
nem sei traduzir
passei estes poucos minutos talvez incomodada
por não sentir muita coisa
por não me ver mais ai
por não...
me importar
nada importado
sentimento exportado pro espaço
talvez eu tenha adquirido oculos do sentimento
que antes parecia mais o alheio que o meu
nao era o meu, nao podia ser
pouco cuidei do meu alterego...
deixa eu
não beija eu
não! nada! tudo que não sinto os pes juntos mais
isso, tudo isso, anda vendo a palma da minha mão dando adeus
e eu nem tenho passagem marcada para outro colo
so ando vendo paisagens em revista
em elevador panorâmico
ando precisando de algumas consultas medicas...
consultas em finais de tarde, bem tarde
conversas redondamente desenganadas de pouca sabedoria
eu vi o tanto que me incomodou não ser incomodada com a situação
choro o pouco tempo que destino aqui a escrever
descrever uma cor que não estou afim de usar por vez
quem sabe em dia de moda, se eu não for anacrônica demais pra enxergar...
decepção tem limites
dai pra frente: e pura idiotice e pouca atualização!
tenho 27 anos
quando esse numero alterar a ordem eu tento entender porque não senti esta dor agora ha pouco...
talvez a tenha la na frente
paciencia são poucos 45 anos...
senta que la vem muita historia, muita musica e muito desejo!



{Vendo como é difícil cumprir promessas ou dizer mal do outro, sem saber como fazer quando se descobre ser igual ao que mais odeia, eu sei moço, isso complica no juizo, né... ando me resguardado em maldizer da poltrona quebrada do outro, porque amanha eu descubro que 'há algo de podre no reino da minha Dinamarca' e a minha cara, como fica.... se for mais bonita por favor me avise, tenho uma lista imensa da minha hipocrisia aflorando}

com um tecladinho chato que não sei ajeitar, outro dia venho aqui ajeitar o analfabetismo declarado ao 'portatinho dos teclados' e musica da falta de sinais de pontuaçao...putz!!!

quinta-feira, 26 de junho de 2008

Onde começa o começo?

"Não te amo mais.
Estarei mentindo dizendo que
ainda te quero como sempre quis.
tenho certeza que
nada foi em vão.
Sinto dentro de mim que
você não significa nada.
Não poderia dizer jamais que
alimento um grande amor
sinto cada vez mais que
já te esqueci!
e jamais usarei a frase
EU TE AMO!
Sinto, mas tenho que dizer a verdade
é tarde demais..."





Como poesia é dialética, aventure-se na lida de baixo para cima, o sentido vai além do que se lê a primeira vista, a primeira lida...está tudo aí, entre eu e evocê o que sobra, o que não sobra...está tudo!



[Eu pensava que esse era da Lispector, mas fui infomada que tem outras 'Lispectors' escrevendo com aspectos de Dona Clari...]

sexta-feira, 6 de junho de 2008

Tempo de Colheita em Portugal...

...


E eu não sou baú pra guardar toda a felicidade em mim
Eu abro a boca e multiplico o verbo
Eu falo na feliz-idade pra não ficar em mente
Mas para deixar ela sair, contaminar
Com todos os seus líquidos
Vivazes, sonolentos, todos eles
Chegando nos outros
Em mim
Em roda
Nada guardado!
Tudo ao ar:
Alegria, alegria!
O que de mal passou
Foi embora,
Bateu a porta,
Nem a-Deus foi mandado
Ele não o quer...
Em mente ou em lente
Eu ando e fotografo o que em mim já é amor
Eu faço
Eu deito
Eu rio
Eu cruzo os braços se tudo for mentira
Se tudo for imaginação tola e sem crédito
Eu não sou baú pra ficar calada
Indiferente a tudo isto
Sem fazer nada
Sem dizer a ninguém
Sem distribuir com alguém
Eu
Andei nas ruas cantando em plena madrugada
Cantei no bambo do palco improvisado
Nas noites esfumaçadas de um narguilé
Ao encontro de vozes finas e risos destrambelhados
Fortes, sinceros, vermelhos, em fogo, em brasa que demora.
Em dança em dia de chuva fina
Em dia que sol não aparece e dorme mais que o tempo de nós mesmos
No gesto do canto do olho que desenha o prazer de se estar
De se ver, de se ter, de se andar de mãos dadas
De mãos atadas com a simplicidade do encontro
E com tanto talento pra boémia
Pra poesia das coisas e palavras
Os minutos são reavaliados
E cada instante é bem aproveitado
Em tempo-espaço-há.braço-há.corpo
A gente que coisifica o infinito
Dá nome ao não pensado
Faz latente o invisível:
Os sentimentos, todos eles de bem
Em cores que combinam além da roupa, da vaidade…
E se pelo dia o sol aparece
O mergulho no branco do sorriso é de cegar
É paradoxal quando há encontro da silhueta dos meus daqui com a luz permanente de uma estrela
Da serenidade de nós todos separados
Da euforia que dá de nós todos em 'com-junto'
Como 'tijolinhos em construção civil'
Contando os quadradinhos da rua na volta da Ria
Ria mesmo
É sempre muito engraçado
Ou feliz.
Em lembrar
Do frisson, das pernas do funâmbulo
Quando se abraçou
Os amores de inverno
Os que são chatos, mas deixam ser descobertos em sorrisos, no pouco espaço de tempo de entrega
Quando se sentiu a surpresa do que não mais quer estar
Até o que não mais tem assunto
Do que deixou tristeza
E do que ajudou a apagar esse rastro
Das 'mordidinhas chatas' que nos fazem lembrar pelos próximos 15 dias
Desse alguém que tem dentes afiados
Dos beijos não programados
Das descobertas ao acaso (se isso existisse!)
Dos cheiros eternizados
Dos abraços catalogados, com senha, com segredo ao quadrado
Das cores da primavera fria do país que não é o 'cheio de graça' e nem tem 'a nega chamada Teresa'
Ela existe em apelido
Atende por Tess, Teté (tete-à-tete)
Fino como o chá da tarde inglesa
Simpático como um francês de coração brasileiro
Nascido por engano na terra da Amélie
E fascinado pela bebida de limão em terras do meu Recife
(meu Recife de sol, mas que hoje deu notícia da chuva que desmancha os barquinhos de papel)
Andei no fio fino dos sonhos acordados bem no meio do bom do doce
Preparei a melhor bebida com cachaça, morango e carinho
Andei subindo as ladeiras da preguiça da 'Vila Nova dos Bons, perdão, dos melhores Vinhos de Gaia.do.Mundo'
Pensando no bilhete premiado que me faltava ao bolso
Ao meu e do meu singelo 'marido por 9 meses
Esses meses de gestação de uma amizade que já tinha nascido
Gestação do compromisso como controle de qualidade
De nós duas, eu e meu 'marido'
De encontrar em dias primeiros das terras do além.muito.mais.que.mar
Fortaleza na família escolhida da 'minha bibliotecária do século'
Chorei no hall daquele bar
Eu sorri no hall daquele mesmo bar
Que eu também dancei e comecei a ser vista e a dar visão
A dar saudades
A ter saudades…
E por não acharem que os livros não andaram em minha bolsa
Observem minha mochila
Feita de páginas de fundo branco
Entre um passo e outro, preeenchida pelo destaque preto
Ou em cores
Ou em gravuras, fotografias, vídeos e performances
Instalações na costura da minha 'pequena-grande mala obsessiva'
Do conhecimento que ainda não sei para que aponta
Mas que tem torre e farol certo
Da costura das páginas em branco
Das páginas que também nem foram lidas
Tragos nos pequenos bolsos, apontamentos da minha mansidão passageira
Do centro onde preparei minha arte
Que grito em dividir o palco
E grita cara a cara com meu espelho que é hora de andar
Em cima dos pés da little-cinderela
Num caminho trilhado pelos sapatos que estão prestes a serem achados
Num domingo de abóbora pós meia-noite
Meia-luz
Meia-nudez
Velada…
Um dia ela aparece com essa vontade que tem de aparecer.
E não vai ser esquecida em mesa de brinde
Aqueles que 'cavuquei' aqui
Tampouco os que me derreto em braços lá
Que plantei e de tempos em tempos
Venho colher
Cheia de vasos coloridos em mãos
Ou mesmo só dar bom dia e boa noite
Ao meu jardim de flores em poesia
Que andam de mãos dadas com a minha felicidade em 'Terra Estrangeira'
Que não é a do 'Salles'.
Mas a mesma que plantam os meus amigos os seus Jardins na Vizinhança quase perfeita
Se não tivesse um oceano a querer aguar nossas plantas.

...
_____________________________________________________________________________

[para quem é de direito...
quem tem chave pra ler e se ver aqui!]

quarta-feira, 4 de junho de 2008

Dê Um Rolê

'Não se assuste pessoa
Se eu lhe disser que a vida é boa
Não se assuste pessoaSe eu lhe disser que a vida é boa
Enquanto eles se batem
Dê um rolê e você vai ouvir
Apenas quem já dizia
Eu não tenho nadaantes de você ser eu sou
Eu sou, eu sou, eu sou amor
Da cabeça aos pés
Eu sou, eu sou, eu sou amor
Da cabeça aos pés
E só tô beijando o rosto de quem dá valor
Pra quem vale mais o gosto do que cem mil réis
Eu sou, eu sou, eu sou amor
Da cabeça aos pés
Eu sou, eu sou, eu sou amor
Da cabeça aos pés'
Composição: Moraes Moreira / Galvão
música que 'lateja' no pensamento depois de entrar com toda intensidade dos olhos, alma e crítica no filme Zuzu Angel...

sábado, 31 de maio de 2008

em dia de sol forte
sem ondas
quase sem mar
um tanto de areia
areia que incomoda.
incomodada pela vastidão da água fria.
e os peixes não mais sentem vontade de nadar
vontade de nada
dez-vontade de tudo.
eles, os peixinhos
que só têm a água fria pra ficar
é congelar ou morrer
eles preferem então, chorar a não morrer
assim cria-se um mar de lágrimas
quem sabe ele é quentinho
e tem gosto de sal, mas é doce também
o bem do mal
essa é a diferença do olhar
a direção que falta ao olhar
no mal: o bem
sempre há.
'tadinho' do peixinho que só quer nadar em paz
na 'agüinha' morna
ele não tem 'fato' de banho
só nadadeiras e vontade de nadar
e não fazer nada além disso.
ô 'tadinho' do peixinho, ele nem sabe surfar
acho que vai ter que fazer mais
além de nadar...

terça-feira, 27 de maio de 2008

Vinil


quando algo que já tem força por si só
é abrilhantado ainda mais por outro que consegue superar a leveza da simplicidade
de ser a medida exata do exagero do absoluto
do exagero da perfeição
me desculpem, mas não é exagero meu
é o exagero certeiro dela em ser ELA acima de tudo
lado a lado com a eternidade da música
no que ela se propaga pelas milhões de ondas
ela se propaga na memória de quem nem mesmo a teve antes de se ir
fica latente em quem não aguentaria estar ao lado de tanta luz
de tanta precisão e certeza a que veio
ao que faz e fez
quem dera ter essa serenidade em palco
em terra
em terreiro
em sala escura
sentada na praia
num meio da feira
bebendo água
bebendo 'whisky'
bebendo
rindo
e lindamente chorando,
sendo, serena e brava
virada no 'mói de coentro'
fazendo a(s)cender memórias
criando laços
contando histórias de amores
fazendo amores surgirem
desligando amores
e deixando-os sempre ligados numa lembrança de sons
ela que não é feita de qualquer matéria
é feita de notas musicais
é feita de sons
é por isso que ao abrir a boca
tudo 'viramúsica'
tudo 'virapoesia'
até o grito
o desvario
ela não compõe em papel
compõe em cena
ela ainda faz
não foi o tempo
ela é atemporal
ela está aqui
enquanto escrevo
enquanto vivo
"ela é desde quando se amarrava cachorro com linguiça"
ela ensina a dançar
ela ensina a amar
não tem resto, nem pouco
é a vida é o sol
é a ladeira da preguiça
é o queira e mais queira
cantar viver
é conversa
é fiada
nunca se paga
todo mundo que bebe dela fica 'liso'
gasta todas as fichas numa só noite
é vício
é de não querer mais parar de
é uma beleza que não é mais só dela
é a coisa mais linda
que tem pra ver e lembrar
e ter



é um post aberto
não tem ponto final
a admiração
da Elis Regina Carvalho Costa
a pimentinnha
[foto: Elis Regina interpretando “Arrastão” de Edu Lobo e Vinícius]

segunda-feira, 26 de maio de 2008

Essa é oração...


"Não vou viver, como alguém que só espera um novo amor
Há outras coisas no caminho aonde eu vou
Às vezes ando só, trocando passos com a solidão
Momentos que são meus e que não abro mão
Já sei olhar o rio por onde a vida passa
Sem me precipitar e nem perder a hora
Escuto no silêncio que há em mim e basta
Outro tempo começou pra mim agora
Vou deixar a rua me levar
Ver a cidade se acender
A lua vai banhar esse lugar
E eu vou lembrar você
É... mas tenho ainda muita coisa pra arrumar
Promessas que me fiz e que ainda não cumpri
Palavras me aguardam o tempo exato pra falar
Coisas minhas, talvez você nem queira ouvir
Já sei olhar o rio por onde a vida passa
Sem me precipitar e nem perder a hora
Escuto no silêncio que há em mim e basta
Outro tempo começou pra mim agora
Vou deixar a rua me levar
Ver a cidade se acender
A lua vai banhar esse lugar
E eu vou lembrar você..."

Pra Rua Me Levar
Ana Carolina
Ana Carolina / Totonho Villeroy


Essa qualquer um pode REZAR
mas o milagre não vem de lá de cima
se faz aqui
pelo santo de cada um
'o santo chamado vontade'.

'Quando você me deixou, meu bem
Me disse pra ser feliz e passar bem
Quis morrer de ciúme, quase enlouqueci
Mas depois, como era de costume, obedeci
Quando você me quiser rever
Já vai me encontrar refeita, pode crer
Olhos nos olhos
Quero ver o que você faz
Ao sentir que sem você eu passo bem demais
E que venho até remoçando
Me pego cantando, sem mais, nem por quê
Tantas águas rolaram
Quantos homens me amaram
Bem mais e melhor que você
Quando talvez precisar de mim
Cê sabe que a casa é sempre sua, venha sim
Olhos nos olhos
Quero ver o que você diz
Quero ver como suporta me ver tão feliz'

...em dia de seu, digo, MEU Chico...

...Olhos nos olhos... (Buarque de Holanda)

Não é tipo de música pra mandar pra ninguém...
mas todo mundo pode ter...
"A Rita levou meu sorriso
No sorriso dela
Meu assunto
Levou junto com ela
O que me é de direito
E Arrancou-me do peito
E tem mais
Levou seu retrato, seu trapo, seu prato
Que papel!
Uma imagem de são Francisco
E um bom disco de Noel
A Rita matou nosso amor
De vingança
Nem herança deixou
Não levou um tostão
Porque não tinha não
Mas causou perdas e danos
Levou os meus planos
Meus pobres enganos
Os meus vinte anos
O meu coração
E além de tudo
Me deixou mudo
Um violão..."


Do Meu Chico
A Rita indo-se
já aqui bem pertinho de não mais tá tão pertinho...

Dos 'Céu's...




"Só querer cuidar, te proteger,
Esquecer, lembrar, te amando.
Se esconder, brigar sem perceber
Depois, chorar, te amando.
Nosso sol às 3 da manhã
Pro dia deitar sonhando.
Só querer cuidar, te proteger,
Esquecer, lembrar, te amando.
Nosso sol às 3 da manhã
Pro dia passar sonhando, sonhando, sonhando..."

'SONHANDO'

quinta-feira, 22 de maio de 2008

e por falar em saudade: dane-se!




HOje deu canseira
canseira desse povo sem assunto
sem mãos afáveis
sem poesia na língua
sem beijo cortante
sem graça
povo barato...
não levanta uma saia
sem segurar a hipocrisia de lado
não pega num peito
que não sustente o cú na mão
não sacode um tapete
pra não saltar de lá a poeira escondida
esse povo que alimenta a velha prostituição
do dizer que não o faz
e paga alto por ela
e é embebido nela
no que ela proporciona
na língua solta que ela tem
da sua falta de medo e censura.
hoje me dou a 'licença poética' de aterrorizar
quem aqui se propor a ler o que postei
[os 'posts' da 'menininha com cara de lesa' (talvez seja mesmo!)].
ABERTA A TEMPORADA:
diga o que quiser
que sou escrota
que sou mal educada
que sou irRitante
que sou a 'Nossa Senhora da Pouca Crença'
qualquer uma das 'santas darks' que eu inventar
que sou qualquer tipo de santa
mas que orem no meu altar
que sou qualquer coisa de pouca ou de muita
do nada ao exagero...
...mas que sou.
Hoje me deu uma canseira
desse povo que não tem vontade
desse povo que só semeia a vaidade
e não vê o dia lindo embaixo da chuva
que insiste o tempo inteiro em ser gente grande
sem graça
com uma cor quase esverdeada
sem uma bola de gude nem espaço pra jogar
só querendo o que é difícil
o que não tem acesso
o que não é recíproco
canseira de quem não consegue beber a vida,
um dia após o outro
que me enche o saco
com dizeres simbólicos em rede
e ao vivo:
me enche o juízo-calado-meu de gargalhadas irônicas
não se garante, pronto!
nem me garante uma tarde de pelo menos, boa conversa.
não me agrada quando faço parte desta roda de fudidos
e tenho feito alguns dias
há algum tempo
há muitos-alguns anos
só que calada
muitas vezes, discreta,
outras vezes, insistindo pra entrar nela
na MINHA hipocrisia-barata
de abanar a cabeça: 'bom dia/ boa tarde/ tá tudo muito bem...'
nas minhas frases montadas...
é mesmo difícil de se livrar
de ME livrar
preciso escrever 'Ode à Vagabundagem nº 2', cadê Tutu (antes que confundam: Turíbio Santos, meu amigo de viola e chopp no aeroporto)?
...
1.[Num dia trancada num laboratório, com companhia muito boa, mas no fim do dia, da noite, vontade de gritar de cansaço, gritar 'malcriadamente' com essa inércia, com esse café frio] 2. [Nêssa, minha flor, aproveite Polônia-Varsóvia, a 'cidadezinha a quatro', o que for..., ela não volta atrás... nem você lá...desse jeitinho,não... com estas companhias, "Tô lixada" e "Podes crê". Tá dado o dito! Boa viagem, minha flor!]

"LIBERDADE é pouco. O que eu quero ainda não tem nome."

Clarice Lispector

nestexto, alguma coisa não cheira...

Não sou de uma família de 'intelectuais'
e não tenho preconceito algum a quem o é
posso e até vou fazer apologias de fato,
não me importo quando um dia vierem a me chamar assim...
sou de uma família a que um dia pensa
que eu ao menos possa chegar a falar
falar da forma que eu pensar
ao menos um pensamento organizado segundo minhas leis
seguindo pouco as dos outros
sem ter que estar o tempo todo sujeita a uma censura
que me interrompa os pensamentos...
sei que ela ainda vai ter trabalho em escutar
e nem tão cedo assim, vai ter em mim essa realização
mas tenho dito que aos poucos
corre em mim o grito
o grito de há tanto eles merecem ouvir
e eu enfim, já preparando outros...

Tudo bem que cresci
nessa família de 'não-intelectuais'
a dizer que o cinema brasileiro era uma 'bosta' (eu ainda só conhecia o que era merda!)
mas achava sonoramente bom o que ouvia, achava mesmo que o cinema (eu só conhecia mais a televisão, nunca me deixavam ver os filmes no cinema...) era aquilo que diziam,
achava que soava bem com o lugar que, às vezes, passava à frente.
mas em tempos, jogando o relógio ao mar,
vivendo...
cresci e me decidi, meio como quem vai ao bar e alguém oferece uma bebida,
trabalhar com artes
ver mais artes
ver mais além do que se mostra
pensar além do meu mundinho das minhas bonecas louras.
quando descobri o que de fato era uma 'bosta'
comparei ao meu primeiro ponto de identificação
lembro que as primeiras imagens que me deparei
não foram de fato, as melhores
mas não chegava achar que aquilo
o antes
de tudo
de hoje
era tão de fato assim, uma, uma, uma...
(bem, talvez me tenha batido uma certa censura)
...e voltando às imagens do cine brasileiro,
no seu início,
digo mesmo que não acho que combine mais com a sonoridade da palavra 'bosta'
nem ao seu significado
pejorativo ou não (não creio que haja muita diferença entre os dois significados desta palavra)
e sei da efervescência que em algumas décadas houve
e da valia que algumas produtoras tiveram...
de verdade,
é sabido que, como tudo, há tempo de muita merda-dita
merda-feita, tá no relógio biológico e no histórico.

Mas a verdade, é que vim aqui, escrever não de antes
mas da satisfação em dizer que esta época vivida por mim,
- a con.tempo.rânea -
não é, de longe, em disparada, a pior época do cinema brasileiro
há nela uma força que carrega no peito a vontade das tuias
dos tantos, talvez quase todos milhões que involuntariamente
produzem matéria orgânica para as telas...
é certo que a socialização
e evolução dos media e o trabalho experimental
são grandes armas nesta evolução
mas há mais que isso
há uma etapa vencida
ou a passagem por ela
a da pedida da vez, da voz
de se fazer, sem ser esperado como o ridículo
como o erótico
não só...
o regionalismo ainda é muito presente
as narrações também
mas tem esmero
tem emoção
e a quebra dela também
tem mercado se abrindo
e tem credibilidade
e abertura de olhos
onde arte não é pra quem não tem o que fazer
vai além...
de quem vive e tem muito o que fazer
de quem fermenta idéias
e não se fecha numa única visão do ver
não se chega no pensamento facilmente
não é todo mundo que consegue fincar pensamento
escolher bem a forma de mostrar o conteúdo do mundo.
fala-se de bons artistas.
eles estão por ai
e basta olhar ao lado
não é linear
vem de todos os lados
mas vem vindo
vem vindo
um tempo
de não ficar parado
só na cadeira recebendo as idéias postas
no máximo, a parada é na platéia deste cine.