sexta-feira, 29 de outubro de 2010

quando se pensa somente na gente
o erro cresce, salta aos olhos
o diálogo vira um livro de romance
a pinta vira uma mancha
o tombo vira ferida
uma palavra vira música
e esse dito uma novela

quando se pensa somente no outro
a dignidade desaparece
as pernas estremecem
perde-se a vergonha
vira-se sombra
perde-se o sol

Ninguém quer isso não.
Me forme em uma frase de cada, por favor!
Quando se quer não há tempo ruim
quando se quer não há corpo cansado
quando se quer, há.
somente.

E havia uma vontade falar...
que foi calada!
e havia uma vontade agora de calar...
que foi acatada
acomo-dada!

"é justo,
é muito justo
é justíssimo!"


porque ler um livro pela metade
e contar sua história
é acima de tudo, criativo
louvável
é ir além...
mas NÃO é a mesma história do livro.

Desculpa boa é chupar picolé.
[Indo à carrocinha de sorvete curar a amidalite...]

e o que é que essa seca tem?

Não há jeito, parece
se a semente não for boa
nem água tanta adianta.
e essa chuva nem veio de uma só vez
mas a danada da semente
nem mesmo quis chupar da terra
seca é
seca chega
seca.
e ela firme, forte, mas seca.
tem lá sua beleza!

sexta-feira, 22 de outubro de 2010

E o que tem para amanhã?




E o que é que tem?
tem um rancor suicida de hoje
tem uma fala morta do ontem
tem uma lembrança cega de agora
uma vontade amolada
feito fio finíssimo de lâmina
vontade de estourar a carne na unha
no dente
no olho
tem um cheiro forte de saudade
tem uma língua cortada pelo desejo
cortando o corpo o desejo
nu desejo
uma cara suja da tinta da beleza
tem uma outra beleza
oh feia, que dó!
um silêncio naquela boca profana
daquele desejo
daquele instante daquele corpo daquele outro

um eu
um tu

é o que tem para amanhã
bem cedo.
Porque a noite me atenta!
à noite me atentam
tem um gosto
um gozo
um outro

estou me asseando
trocando a pele
tranc-afiando o meu limite!
regurgito este ontem
um bem ao que tem para amanhã no menu.
é isso!

domingo, 17 de outubro de 2010

é o que tem pra hoje...

catucando a minha política interna
abrindo um buraco
tecendo fogo nas minhas crenças
abafando a fumaça com a boca
para enfim,
assanhar a onça do mundo com uma vara bem curta
e com língua áspera de gato
me esfregando nem no homem/ nem na mulher
na gente!
roçando o meu rabo no mundo.


.......................


é tanta letra junta
é tanta tanta palavra separada
que eu vou virar muda de imagem e som
para acertar esse fio da jornada
"só zoiando elas procriarem
nas minhas oiças"
e então virar som e imagem
minha imagem
meu som
minha palavra!


.....................


Minha boca tem merecido mais
cor
beijo
silêncio
que palavras

........