
HOje deu canseira
canseira desse povo sem assunto
sem mãos afáveis
sem poesia na língua
sem beijo cortante
sem graça
povo barato...
não levanta uma saia
sem segurar a hipocrisia de lado
não pega num peito
que não sustente o cú na mão
não sacode um tapete
pra não saltar de lá a poeira escondida
esse povo que alimenta a velha prostituição
do dizer que não o faz
e paga alto por ela
e é embebido nela
no que ela proporciona
na língua solta que ela tem
da sua falta de medo e censura.
hoje me dou a 'licença poética' de aterrorizar
quem aqui se propor a ler o que postei
[os 'posts' da 'menininha com cara de lesa' (talvez seja mesmo!)].
ABERTA A TEMPORADA:
diga o que quiser
que sou escrota
que sou mal educada
que sou irRitante
que sou a 'Nossa Senhora da Pouca Crença'
qualquer uma das 'santas darks' que eu inventar
que sou qualquer tipo de santa
mas que orem no meu altar
que sou qualquer coisa de pouca ou de muita
do nada ao exagero...
...mas que sou.
Hoje me deu uma canseira
desse povo que não tem vontade
desse povo que só semeia a vaidade
e não vê o dia lindo embaixo da chuva
que insiste o tempo inteiro em ser gente grande
sem graça
com uma cor quase esverdeada
sem uma bola de gude nem espaço pra jogar
só querendo o que é difícil
o que não tem acesso
o que não é recíproco
canseira de quem não consegue beber a vida,
um dia após o outro
que me enche o saco
com dizeres simbólicos em rede
e ao vivo:
me enche o juízo-calado-meu de gargalhadas irônicas
não se garante, pronto!
nem me garante uma tarde de pelo menos, boa conversa.
não me agrada quando faço parte desta roda de fudidos
e tenho feito alguns dias
há algum tempo
há muitos-alguns anos
só que calada
muitas vezes, discreta,
outras vezes, insistindo pra entrar nela
na MINHA hipocrisia-barata
de abanar a cabeça: 'bom dia/ boa tarde/ tá tudo muito bem...'
nas minhas frases montadas...
é mesmo difícil de se livrar
de ME livrar
preciso escrever 'Ode à Vagabundagem nº 2', cadê Tutu (antes que confundam: Turíbio Santos, meu amigo de viola e chopp no aeroporto)?
...
1.[Num dia trancada num laboratório, com companhia muito boa, mas no fim do dia, da noite, vontade de gritar de cansaço, gritar 'malcriadamente' com essa inércia, com esse café frio] 2. [Nêssa, minha flor, aproveite Polônia-Varsóvia, a 'cidadezinha a quatro', o que for..., ela não volta atrás... nem você lá...desse jeitinho,não... com estas companhias, "Tô lixada" e "Podes crê". Tá dado o dito! Boa viagem, minha flor!]