sábado, 31 de maio de 2008

em dia de sol forte
sem ondas
quase sem mar
um tanto de areia
areia que incomoda.
incomodada pela vastidão da água fria.
e os peixes não mais sentem vontade de nadar
vontade de nada
dez-vontade de tudo.
eles, os peixinhos
que só têm a água fria pra ficar
é congelar ou morrer
eles preferem então, chorar a não morrer
assim cria-se um mar de lágrimas
quem sabe ele é quentinho
e tem gosto de sal, mas é doce também
o bem do mal
essa é a diferença do olhar
a direção que falta ao olhar
no mal: o bem
sempre há.
'tadinho' do peixinho que só quer nadar em paz
na 'agüinha' morna
ele não tem 'fato' de banho
só nadadeiras e vontade de nadar
e não fazer nada além disso.
ô 'tadinho' do peixinho, ele nem sabe surfar
acho que vai ter que fazer mais
além de nadar...

terça-feira, 27 de maio de 2008

Vinil


quando algo que já tem força por si só
é abrilhantado ainda mais por outro que consegue superar a leveza da simplicidade
de ser a medida exata do exagero do absoluto
do exagero da perfeição
me desculpem, mas não é exagero meu
é o exagero certeiro dela em ser ELA acima de tudo
lado a lado com a eternidade da música
no que ela se propaga pelas milhões de ondas
ela se propaga na memória de quem nem mesmo a teve antes de se ir
fica latente em quem não aguentaria estar ao lado de tanta luz
de tanta precisão e certeza a que veio
ao que faz e fez
quem dera ter essa serenidade em palco
em terra
em terreiro
em sala escura
sentada na praia
num meio da feira
bebendo água
bebendo 'whisky'
bebendo
rindo
e lindamente chorando,
sendo, serena e brava
virada no 'mói de coentro'
fazendo a(s)cender memórias
criando laços
contando histórias de amores
fazendo amores surgirem
desligando amores
e deixando-os sempre ligados numa lembrança de sons
ela que não é feita de qualquer matéria
é feita de notas musicais
é feita de sons
é por isso que ao abrir a boca
tudo 'viramúsica'
tudo 'virapoesia'
até o grito
o desvario
ela não compõe em papel
compõe em cena
ela ainda faz
não foi o tempo
ela é atemporal
ela está aqui
enquanto escrevo
enquanto vivo
"ela é desde quando se amarrava cachorro com linguiça"
ela ensina a dançar
ela ensina a amar
não tem resto, nem pouco
é a vida é o sol
é a ladeira da preguiça
é o queira e mais queira
cantar viver
é conversa
é fiada
nunca se paga
todo mundo que bebe dela fica 'liso'
gasta todas as fichas numa só noite
é vício
é de não querer mais parar de
é uma beleza que não é mais só dela
é a coisa mais linda
que tem pra ver e lembrar
e ter



é um post aberto
não tem ponto final
a admiração
da Elis Regina Carvalho Costa
a pimentinnha
[foto: Elis Regina interpretando “Arrastão” de Edu Lobo e Vinícius]

segunda-feira, 26 de maio de 2008

Essa é oração...


"Não vou viver, como alguém que só espera um novo amor
Há outras coisas no caminho aonde eu vou
Às vezes ando só, trocando passos com a solidão
Momentos que são meus e que não abro mão
Já sei olhar o rio por onde a vida passa
Sem me precipitar e nem perder a hora
Escuto no silêncio que há em mim e basta
Outro tempo começou pra mim agora
Vou deixar a rua me levar
Ver a cidade se acender
A lua vai banhar esse lugar
E eu vou lembrar você
É... mas tenho ainda muita coisa pra arrumar
Promessas que me fiz e que ainda não cumpri
Palavras me aguardam o tempo exato pra falar
Coisas minhas, talvez você nem queira ouvir
Já sei olhar o rio por onde a vida passa
Sem me precipitar e nem perder a hora
Escuto no silêncio que há em mim e basta
Outro tempo começou pra mim agora
Vou deixar a rua me levar
Ver a cidade se acender
A lua vai banhar esse lugar
E eu vou lembrar você..."

Pra Rua Me Levar
Ana Carolina
Ana Carolina / Totonho Villeroy


Essa qualquer um pode REZAR
mas o milagre não vem de lá de cima
se faz aqui
pelo santo de cada um
'o santo chamado vontade'.

'Quando você me deixou, meu bem
Me disse pra ser feliz e passar bem
Quis morrer de ciúme, quase enlouqueci
Mas depois, como era de costume, obedeci
Quando você me quiser rever
Já vai me encontrar refeita, pode crer
Olhos nos olhos
Quero ver o que você faz
Ao sentir que sem você eu passo bem demais
E que venho até remoçando
Me pego cantando, sem mais, nem por quê
Tantas águas rolaram
Quantos homens me amaram
Bem mais e melhor que você
Quando talvez precisar de mim
Cê sabe que a casa é sempre sua, venha sim
Olhos nos olhos
Quero ver o que você diz
Quero ver como suporta me ver tão feliz'

...em dia de seu, digo, MEU Chico...

...Olhos nos olhos... (Buarque de Holanda)

Não é tipo de música pra mandar pra ninguém...
mas todo mundo pode ter...
"A Rita levou meu sorriso
No sorriso dela
Meu assunto
Levou junto com ela
O que me é de direito
E Arrancou-me do peito
E tem mais
Levou seu retrato, seu trapo, seu prato
Que papel!
Uma imagem de são Francisco
E um bom disco de Noel
A Rita matou nosso amor
De vingança
Nem herança deixou
Não levou um tostão
Porque não tinha não
Mas causou perdas e danos
Levou os meus planos
Meus pobres enganos
Os meus vinte anos
O meu coração
E além de tudo
Me deixou mudo
Um violão..."


Do Meu Chico
A Rita indo-se
já aqui bem pertinho de não mais tá tão pertinho...

Dos 'Céu's...




"Só querer cuidar, te proteger,
Esquecer, lembrar, te amando.
Se esconder, brigar sem perceber
Depois, chorar, te amando.
Nosso sol às 3 da manhã
Pro dia deitar sonhando.
Só querer cuidar, te proteger,
Esquecer, lembrar, te amando.
Nosso sol às 3 da manhã
Pro dia passar sonhando, sonhando, sonhando..."

'SONHANDO'

quinta-feira, 22 de maio de 2008

e por falar em saudade: dane-se!




HOje deu canseira
canseira desse povo sem assunto
sem mãos afáveis
sem poesia na língua
sem beijo cortante
sem graça
povo barato...
não levanta uma saia
sem segurar a hipocrisia de lado
não pega num peito
que não sustente o cú na mão
não sacode um tapete
pra não saltar de lá a poeira escondida
esse povo que alimenta a velha prostituição
do dizer que não o faz
e paga alto por ela
e é embebido nela
no que ela proporciona
na língua solta que ela tem
da sua falta de medo e censura.
hoje me dou a 'licença poética' de aterrorizar
quem aqui se propor a ler o que postei
[os 'posts' da 'menininha com cara de lesa' (talvez seja mesmo!)].
ABERTA A TEMPORADA:
diga o que quiser
que sou escrota
que sou mal educada
que sou irRitante
que sou a 'Nossa Senhora da Pouca Crença'
qualquer uma das 'santas darks' que eu inventar
que sou qualquer tipo de santa
mas que orem no meu altar
que sou qualquer coisa de pouca ou de muita
do nada ao exagero...
...mas que sou.
Hoje me deu uma canseira
desse povo que não tem vontade
desse povo que só semeia a vaidade
e não vê o dia lindo embaixo da chuva
que insiste o tempo inteiro em ser gente grande
sem graça
com uma cor quase esverdeada
sem uma bola de gude nem espaço pra jogar
só querendo o que é difícil
o que não tem acesso
o que não é recíproco
canseira de quem não consegue beber a vida,
um dia após o outro
que me enche o saco
com dizeres simbólicos em rede
e ao vivo:
me enche o juízo-calado-meu de gargalhadas irônicas
não se garante, pronto!
nem me garante uma tarde de pelo menos, boa conversa.
não me agrada quando faço parte desta roda de fudidos
e tenho feito alguns dias
há algum tempo
há muitos-alguns anos
só que calada
muitas vezes, discreta,
outras vezes, insistindo pra entrar nela
na MINHA hipocrisia-barata
de abanar a cabeça: 'bom dia/ boa tarde/ tá tudo muito bem...'
nas minhas frases montadas...
é mesmo difícil de se livrar
de ME livrar
preciso escrever 'Ode à Vagabundagem nº 2', cadê Tutu (antes que confundam: Turíbio Santos, meu amigo de viola e chopp no aeroporto)?
...
1.[Num dia trancada num laboratório, com companhia muito boa, mas no fim do dia, da noite, vontade de gritar de cansaço, gritar 'malcriadamente' com essa inércia, com esse café frio] 2. [Nêssa, minha flor, aproveite Polônia-Varsóvia, a 'cidadezinha a quatro', o que for..., ela não volta atrás... nem você lá...desse jeitinho,não... com estas companhias, "Tô lixada" e "Podes crê". Tá dado o dito! Boa viagem, minha flor!]

"LIBERDADE é pouco. O que eu quero ainda não tem nome."

Clarice Lispector

nestexto, alguma coisa não cheira...

Não sou de uma família de 'intelectuais'
e não tenho preconceito algum a quem o é
posso e até vou fazer apologias de fato,
não me importo quando um dia vierem a me chamar assim...
sou de uma família a que um dia pensa
que eu ao menos possa chegar a falar
falar da forma que eu pensar
ao menos um pensamento organizado segundo minhas leis
seguindo pouco as dos outros
sem ter que estar o tempo todo sujeita a uma censura
que me interrompa os pensamentos...
sei que ela ainda vai ter trabalho em escutar
e nem tão cedo assim, vai ter em mim essa realização
mas tenho dito que aos poucos
corre em mim o grito
o grito de há tanto eles merecem ouvir
e eu enfim, já preparando outros...

Tudo bem que cresci
nessa família de 'não-intelectuais'
a dizer que o cinema brasileiro era uma 'bosta' (eu ainda só conhecia o que era merda!)
mas achava sonoramente bom o que ouvia, achava mesmo que o cinema (eu só conhecia mais a televisão, nunca me deixavam ver os filmes no cinema...) era aquilo que diziam,
achava que soava bem com o lugar que, às vezes, passava à frente.
mas em tempos, jogando o relógio ao mar,
vivendo...
cresci e me decidi, meio como quem vai ao bar e alguém oferece uma bebida,
trabalhar com artes
ver mais artes
ver mais além do que se mostra
pensar além do meu mundinho das minhas bonecas louras.
quando descobri o que de fato era uma 'bosta'
comparei ao meu primeiro ponto de identificação
lembro que as primeiras imagens que me deparei
não foram de fato, as melhores
mas não chegava achar que aquilo
o antes
de tudo
de hoje
era tão de fato assim, uma, uma, uma...
(bem, talvez me tenha batido uma certa censura)
...e voltando às imagens do cine brasileiro,
no seu início,
digo mesmo que não acho que combine mais com a sonoridade da palavra 'bosta'
nem ao seu significado
pejorativo ou não (não creio que haja muita diferença entre os dois significados desta palavra)
e sei da efervescência que em algumas décadas houve
e da valia que algumas produtoras tiveram...
de verdade,
é sabido que, como tudo, há tempo de muita merda-dita
merda-feita, tá no relógio biológico e no histórico.

Mas a verdade, é que vim aqui, escrever não de antes
mas da satisfação em dizer que esta época vivida por mim,
- a con.tempo.rânea -
não é, de longe, em disparada, a pior época do cinema brasileiro
há nela uma força que carrega no peito a vontade das tuias
dos tantos, talvez quase todos milhões que involuntariamente
produzem matéria orgânica para as telas...
é certo que a socialização
e evolução dos media e o trabalho experimental
são grandes armas nesta evolução
mas há mais que isso
há uma etapa vencida
ou a passagem por ela
a da pedida da vez, da voz
de se fazer, sem ser esperado como o ridículo
como o erótico
não só...
o regionalismo ainda é muito presente
as narrações também
mas tem esmero
tem emoção
e a quebra dela também
tem mercado se abrindo
e tem credibilidade
e abertura de olhos
onde arte não é pra quem não tem o que fazer
vai além...
de quem vive e tem muito o que fazer
de quem fermenta idéias
e não se fecha numa única visão do ver
não se chega no pensamento facilmente
não é todo mundo que consegue fincar pensamento
escolher bem a forma de mostrar o conteúdo do mundo.
fala-se de bons artistas.
eles estão por ai
e basta olhar ao lado
não é linear
vem de todos os lados
mas vem vindo
vem vindo
um tempo
de não ficar parado
só na cadeira recebendo as idéias postas
no máximo, a parada é na platéia deste cine.

Re-cado-ré


...Você não precisa se esconder
do que (ou de quem) não está a sua procura...
há mais coisas a se preocupar
há mais calor lá fora
há mais mundos a conhecer
do que este seu mínimo
que você insiste em fechar-se à chuva de Aveiro
que nunca vê o sol
mas mesmo assim, começa a brilhar em outros sorrisos
quem sabe o seu...
não se importe com o pouco
nem o muito tem essa pressa de chegar.
não fuja do que não está em você
ou deixe ao menos, a procura chegar!
...


[recadinho prum menino que acha que é estressado! o tempo corre e a gente não precisa perdê-lo em função de vigiar o relógio pra ver se ele passa, melhor sentí-lo, a gente acompanha mais a evolução dele: RELÓGIOS ao MAR!!!]

quarta-feira, 21 de maio de 2008

nãosoueu

Por que tem ela que ser tão
tão... tão... ela?
por que tem essa 'coisa' a fazer
me sentir tão... tão....eu?
o que tem ela a não me deixar alcançá-la?
o que tem ela?
o que tem tanto?
me pega
ela e seus componentes
eu com meu destrambelho
dita pouco ritmada
e destrambelhada nas ações físicas
eu que nem mesmo sei se acerto o ritmo
mas canto canto...
pouco arrisco tocar
acho que evito
pra não ser 'um ser mais abusado'
já pensou eu dominando uma parte da música?
nem me fale,
nem me cante
nem me assanhe
esqueça!
até o vento canta!
é por isso que abro a boca,
muitas vezes baixinho,
cantando calada
ela insiste.


À Dona Música dos meus ouvidos

Da Doida do Cine, senta que 'ainda' vem história...

Olá Dona?
essa cadeira é o futuro retrato da sua?
eu vejo nela as marcas de uma jovem guerreira
não vejo só a juventude, mas a vivacidade da juventude
vejo muito nela o que já foi feito
o tanto que vai passar
o tanto que se passou
o que nela me parece gasto
vejo como o esforço
de 'não deixar as idéias se demorarem nas idéias'
(acho tão bonito isto em você, minha flor!)
a capacidade da realização
mesmo que o real não seja o ideal
nunca o é,
assim, ficaria novamente no ciclo das idéias...

Olá, minha Dona Doida das Oliveiras...
você ainda está na vivacidade desta cadeira
no trabalho que ela inspirou
no que ela ainda pode contar.
na verdade não é mesmo ela
é alguma coisa nela que me lembra seu ofício
o ofício de falar pra todo mundo
pela boca dos outros
pelo olhar dos outros
pela partitura corporal de uns, feito eu
sobre os outros
sobre você
através de lentes
com sensibilidade
com generosidade
com doce
com sal
às vezes, meio agri-doce,
que junta água na boca,
nunca insosso
às vezes, cortante
errante
sarcástico
mas sempre marca.
nesse ofício que é seu
de tantos outros
mas muito seu
que ele ainda tem como aprender muito
pelo muito que você vai andar...
vejo na cadeira o explícito,
um símbolo transposto de uma profissão
o que vejo além
é o seu sucesso
que você vem tateando em não aparecer
mas ele já é.
e pra brilho que se esconde,
só basta a gente polir.

Das Doida de Dona Cineasta
Das Dores
Das Risadas
Das Tantas Descobertas
Das Delas todas
juntas
separadas
nunca dispersas.

1.[para uma amiga linda que me faz dar mil risadas como se eu comesse um 'bsicoito cannabis' a cada minuto do dia: Das Tanta Oliveira Taciana...]
2. [A foto foi feita na Residência Artísitica do CENTA - Vila Velha de Roda - PT]

E a minha boca anda cheinhaa de beijinhos

e de saudade de dizer: Eu te Amo!



[complemento de um post não publicado...]




"Rita merecia mais" por Eliseu


"Não existem as palavras
que devia usar
não existe pensamento
não posso escrever amar
as estrelas podem-se contar
o universo pode-se medir
mas eu a ti, apenas cantar
corar e fugir
não existem as palavras
leva tudo o resto
Não te esqueças da cor
e escreve tu... amor
vês, Rita merecia mais
como pode ela ter as palavras que merece?"


[Eliseu como resposta a um 'certo enfrentamento' com meu marido 'Buarque de Holanda', dizendo que a 'Rita' que levou o sorriso deste marido, devolveu a eli, eliseu... a vontade de escrever o que 'ela' merecia mais]

[samba de uma estrofe só...]

enquanto penso no que estar por vir...
vou lá no canto de sossego...
tudo parece perfeito...
mesmo sem muita expectativa...
passo lá...
dou uns beijinhos e ainda vejo o mar...

Se fazer 'hora' é inventar o que fazer
é dar um tempo no correr das horas
eu amanheço
eu-faço
dez-faço
re-faço
o pensamento do depois
dá uma trégua ao embaraço
eu pouco faço no agora
e faço tanto
tanto e tudo
e vou-me embora ver o mar
vou-me ir já chegar lá em baixo da passagem
da parada a baixo das dunas
e sento...
e vou-me a andar areia a fora
água a dentro
entre um cheiro e outro
me perco nas horas que fiz pouco
entre um desejo e outro
me perco nas ondas que pouco me molham
as ondas frias
geladas,
mas lembram um pouco do meu verão
escaldante
que gosto de saber que está ali.

segunda-feira, 19 de maio de 2008


e quer saber?
demitidos todos que não trabalharem direito
em prol do meu bem estar
do meu bel prazer...
demitidos!
que sejam dispensados todos que tiverem asas próprias
que não sejam as guiadas por mim
que não sejam as desenhadas por mim
por favor, estas que sejam as primeiras
'filhos ao mundo!'

não quero nada aqui perto que não seja de vontade

nem minha nem de quem se achegue...

Demissão a todos!

quer saber?
todos demitidos
desapegados da minha boa sarcástica alma
demitidos por justa causa e sem precisar voltar para receber o que lhe convém
todos aqueles que criaram vida própria além da minha
que não enxergam mais a valia de estar aqui
o que tem de receber, envio pelo correio eletrônico, a senha, e o valor a ser pago
desapegados de mim, da minha imensa crítica-auto
da minha imensidão de maldade
da minha inveja
da minha desunião
aqueles que não suportarem mais a falta da inércia
ou o entupimento dela
vão...
vão adiante
a algum lugar
estão todos demitidos
com todos os direitos garantidos por quem o tempo inteiro os contratou: eu
o destrambelho em pessoa
em paixão
em ilusão
em amores
em fogo
em brasa
demitidos
a fila anda
mas não quero contratar ninguém
porque não há contrato
há boa vontade de se estar
e se está
já é bem-vindo
não se sai
se demora
se deixa ficar
por tempo indeterminado
não há garantia de ficar
mas fica até durar
demitindo toda hipocrisia que há junto de mim
ou pelo menos a que for possível
entendido como 'a lavagem das minhas escadarias em dia de santo'.

quarta-feira, 14 de maio de 2008

"O seu olhar, o seu olhar
melhora...
melhora o meu"
...
em Preto e Branco enxergando Colorido!

CENTA - Residência Artística
Vila Velha de Roda (?)
Entre os dias 08 e 11 de maio estive nesta residência
nesta 'quinta' como eles chaman 'sítio', 'fazenda...' lugar com muito mato e bichinho lindo.
...
(no meinho do mato,
com cheiro de café e café,
com beleza de céu estrelado e com estrelas,
com trabalhos a ver e a mostrar,
a canseira no corpo e não muita no copo -pasmem!-
com saudade no peito e fazendo mais...
com o verde dos olhos e da relva
com gatinhos ao lado e no pensamento
com as botas do pedro arquiteto (disgramado)
e os pés torturados
com o sorriso no rosto e
rezando para todo o estresse ser enterrado naquele lugar
com preocupações que iam além da projeção
mas com boas risadas de um gato despreocupado com o mundo
e com o 'bando de loucos ávidos pelo olhar contemporâneo'
a invadir o seu espaço
sem sua licença
sem causar tanta impressão assim
sem muita importância com o que ele,
o gato, enterra.

Assassinada nas Caves de Vinho do Porto ...
quer morte melhor?
...
[em cena para o curta metragem: Porto]

ainda não é meu o olho mais esperto
mas aos poucos vou abrindo às oportunidades
às visões amplas e medidas dos lugares onde me insiro
muitas vezes o fecho com o que não quero ver
mas a imagem se forma lá dentro
e não é preciso olho pra sentir
não é preciso abrir ou fechar os olhos para lembrar
de algo que é latente em nós/ em mim
nem precisa de olho pra ver
nem precisa
mas, às vezes, eu fecho só um instante
pra ficar mais forte a imagem que guardo.

M.R.

porque tinha ela de cantar ai
sem ter a mim por perto?
o que tem a 'filha da mãe regina' de cantar aqui
sem ter os meus por perto?
se é pra sentir saudades
me recuso.
escuto o rádio
e deixo pra vê-la
de braço dado com a alegria.
'bora' vitrola que meu peito 'ferve-freva'
e vai derretendo o gelo desse inverno que se mascara de primavera.

haja nuvens


novamente bem cedo
bem perto do meu abrir os olhos
o coração acorda com os raios de sol desse Aveiro que insiste em dar lugar ao frio...
penso no feito de ontem
(neste caso, no 'quase nada feito', só bem vivido de ontem
do bem estar, de uma calmaria, de uma boa conversa - mesmo a pouca-, boa companhia)
e passa o dia
e passa o tempo
as horas criam asas
e eu caminhando, às vezes, duelando com uma tartaruga que dá risada da minha 'ligeireza'
e ainda páro pra tomar uma água que não me mata a sede
penso no pouco tempo que tenho por aqui
por ali
quem sabe, até ai...
penso que mesmo sentindo falta de lá
o que fica em mim
desse Aveiro frio
(prometendo as saias curtas em breve do verão...)
é muito mais do que eu consigo entender
muito mais do que eu queria levar
muito mais do que eu consigo esconder
fica em mim, em 30 dias a vontade de gastar os 8 meses nestes...
mas tenho medo de ficar ainda mais cravado
e não me interessa
mais saudades!
abro um sorriso e um par de olhos que só interessa a mim
e as flores que eu miro
esqueço
vivo
quando chegar lá no mês cinzento azulado
(aquele acompanhado das danças dos santos e boa comida de milho)saida no mês amarelo de cá
que é pra sentir assim mesmo a saudade que me recuso dos de cá
sem querer levantar num recife frio
e que insiste em lembrar esses do além-mar.


...


[Still feito para um curta-metragem: PORTO. Realizado pelos alunos do mestrado de Novas Tecnologias da U.A. filmado nas Caves de Vinhos da Ribeiro do Douro, Vila Nova de Gaia-PT. Cave de Vinho Croft]

terça-feira, 6 de maio de 2008

De 'mal' com a empolgação...

o que é mais clichê?
o meu olho ou suas desculpas para acompanhar a moda da arte contemporânea?
o que é mais artificial,
a minha escolha ou sua falta de paciência em escutar,
em ensinar?
eu ainda não cheguei aqui
já estou voltando e nem estive aqui
não o quanto você queria...
não é uma discussão
é uma constatação
eu nem mesmo sei o quanto você se importa
o quanto você não quer só me encher o saco...
(uma 'seca')
enquanto eu me finjo de idiota
não pense em ser o supra-sumo da inteligência
não se iluda com minha mansidão
ela, às vezes, viramar
nem viramúsica,
vira o mar
e em dias de tempestade
de onde o verde transborda
e não é de choro
é de fúria
me deixe em paz
na paz que eu quero ter
a de uma hora sem ter que pensar no que você quer...
nem no que eu tenho que fazer...
...

[discussão com minha falta de criatividade extensa e duradoura, ela anda se envolvendo, se embolando na areia, no jardim, sei lá onde... com a preguiça ou com a falta de entusiasmo]

segunda-feira, 5 de maio de 2008

Só por hoje...

Tem dia que não dá pra esquecer
e onde vende o remédio de calar a boca?
onde fica a minha vontade
quando não cumpro o pensar?
onde "enfio" o pensamento quando não quero mais lembrar?
onde tenho direito ao terreno das implosões?
quero mesmo ficar em silêncio
quero mesmo cantar caladinha
sentar de mansinho na beira da praia
e ficar de conversa com o vento frio
debaixo de um sol laranjado
enquanto sua cor vai mudando
e ele se indo
e vai mudando toda a cor do mundo
do meu pequeno mundo
que hora se faz bem distante
hoje foi tão assim
quero dormir e não pensar
nem em mim
nem nesse dia manso
nem em você
nem em ninguém...
só na minha paz que eu não quero conservar pra tentar ser feliz...



[canto que inspira paz...]

Indicação...

Mais Um Lamento
Céu

Composição: Danilo Moraes / Céu

Vai ser difícil, vai
Encontrar um amor como o seu, ai
Como dói no meu peito
Seu gosto é bem do jeito que eu gosto
Bem do jeito, lamento
Que é só mais um lamento entre tantos já feitos
quisera desse jeito lembrar de outros tempos
só pra matar um pouco a saudade
mesmo assim querendo que você não ouça
meu grito aqui de longe
minha dor, meu lamento...

Se atrase pra ver...

Meu amor, não se atrase na volta, não
Meu amor, não, não
Meu amor, não se atrase na volta, não
Meu amor (meu amor, meu amor...quem mandou?)

Mandei uma mensagem a jato
Às entidades do tempo
Já me foi verificado
Que nem mesmo haverá segundos
Porque os minutos foram reavaliados
E pra cada suspiro
Serão 10 contados
Meu amor, não se atrase na volta, não
Meu amor (meu amor, meu amor...quem mandou?)
Meu amor, não se atrase na volta, não
Meu amor (quem mandou? quem mandou?)
Meu amor...

(Música vinda dos (de) Céu...