quarta-feira, 17 de dezembro de 2008

Do que parece água...


Dando adeus ao que não é de Deus
dando boas vindas ao que é bem-vindo
desistindo do que não é de insistência
realizando o que era apenas sonho
insistindo no que não tem raízes
rindo do que ainda não é piada
acreditando no que não é de deixar parado
abdicando de uma saia-justa
vestindo a saia-justa, justíssima
é muito justo sair assim:
dando a Deus: boas festas
e recebendo outras tantas
do que o branco do meu rosto
são tuas claras conversas
do que o negro dos meus olhos
são tuas raras vontades de olhar
mas são sinceras,
pontuais
exatas
perfeitas
dentro de uma perfeição inexistente
é mesmo assim:
perfeita a tua pontuação em nunca desistir
de um olhar
de um ponto certo de lindas paisagens...

[jogando a cachaça e a ressaca fora...]

domingo, 7 de dezembro de 2008

diferenças entre o vazio de um copo
e a fartura de uma mesa posta:
.
é a sede latente de um
e o fastio desdenhoso do outro
.
é a vontade de sentir ao menos uma gota de suor
e a ojeriza do cheiro da carne do outro
.
é a vontade cega de sanar a sede
e a vontade burra de transformar a beleza
.
é a santidade de não esquecer o que foi provado
e a ignorância de quem nunca passou fome
.
é a riqueza da simplicidade
e a fraqueza da soberba
.
é a diferença de ter tanto e não dar valor
e a cecgueira de saber e não compreender.
.
é a beleza de quem já amou
e a aspereza de quem nunca beijou de verdade.
Por tudo que se renova
por tudo que se inova
temos muitas horas
muitas horas, tínhamos
todas as horas a nosso favor
agora temos os dias
espaçados em poucas lembranças
as mais reinterantes possíveis
as que não merecem segundos estacionados
as que não são para serem lembradas
nem como doces horas passadas
por tudo que se renova
caia a sua casca
e bata as asas
por tudo que se inova
mude a sua cor
a sua dor
mude
por tudo que se é hora
acorde
eu não quero mais contar
o tempo do meu curto-imenso abraço
eu não quero mais ter o curto-muito-curto tempo
de um mínimo olhar
não quero rabo-de-olho
por tudo que se enrola
me deixe livre
deus-me-livre
de tua ausência
deus-me-livre
da tua presença
deus-me-livre
de uma solidão 'contando carneirinhos à noite' sozinho
deus-me-guarde na minha pouca fé de muitos santos...
esta missa eu não quero mais rezar.
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Não admitir
é afirmar o incômodo ou a culpa?
Não admitir infecciona...
saremos!
eu não tenho mais feridas tão abertas
mas elas têm cicatrizes
muitas, hoje, até charmosas...
saremos, por inteligência
pelo bem-estar do meu corpo físico.
não estacione mais em minha porta
não estacione
diga bem manso ao meu ouvido
que não há culpa...
admita!
admita...
admita e não culparemos a culpa alheia!
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