segunda-feira, 11 de junho de 2007

Ode à Vagabundagem...

Ela resolve enfim, sair...
Nem sabia que ia...
nem queria...
mas foi....
que bom que foi...
Sentada numa hora atemporal
senta-se para esperar a vagabundagem,
que pode até nem vir,
que pode até ter hora pra acabar,

mas pode também atrasar...
viaja de um canto que se chega e que se vai...
entre conversas fiadas e vôos rasantes, lá estão,
lá estão...
lá se canta, lá se espanta mal olhado,
lá se lança amizade,
se grita e fala alto,
alguns chegam a estrondar ao zarpar vôo,
alguns somem no silêncio de sua romaria,
a romaria da despedida,
da fé na volta de uma partida,
outros andam que nem parecem estar em terra firme,
parecem mais estarem no sertão de onde ainda trazem a terra seca nos pés,
ela identifica, se identifica, magnifica,
mas olha, ri, só não chora,
porque não sente vontade,
só rir...
e a romaria dos que vão e ficam não finda,
a dela, a dele, nem se faz lembrar,
porque vai se chegar no tempo que só o embarque faz o atesto
e os vôs nossos de cada dia continuam,
os sons do pai e do filho tilintam em tais ouvidos,
notas desafinadas,
tempos musicais,
tempos musicais,
ele foge, ela clica o imaginável,
não o teto,
não a mesa,
não as cadeiras,
mas as reações,
os pensamentos,
as idéias,
as ideologias,
as simpatias...
ele volta, o fujão...
vamos 'simbora' com mais chopp...
ele conseguiu que ela tomasse...
um, dois, três, quatro, vamos parando de contar...
porque infinito, sim, existe,
mas não pro chopp, não.
Risos, gargalhadas,
nada de filosofia e terapia aparente,
trabalho muito pouco, só pra xingamento,
só pra dizer que não o quer,
opa, mentira, aceitei mais um,
bom, mas aqui é proibido trabalho,
e o chopp anda...
ele revela-se muito mais simpatia
que o combinado,
ela revela-se mais chegada no chopp do que o também, combinado,
ele tilinta tudo na mesa,
ela clica tudo não só sobre a mesa, ao redor,
rodeando o tempo e o mundo,
com olhar,
com as lentes,
com a mente,
ele ri elogios,
ela ri a vergonha,
mas a relação estabelece,
cumplicidade,
amizade,
sabedoria de mesa de não-bar,
eles não gostam da música posta...
então, inventam a sua própria,
cantam a sua...
cantam...
tocam...
toquem, mexam-se...
o mundo é o mote,
a espuma é o mote,
o judeu da mesa ao lado é o mote,
ela clica, ele ri...
ele que tanto sabe, aprende,
ela que tanto ri, e quase nada sabe,
não deixa de aprender menos...

O atemporal encontra esse seu tempo de agora,
um zarpa vôo balhurentamente,
outro silenciosamente,
direções opostas,
mas as mentes,
os sonhos,
estes gritam fervorosos,
numa só direção: quero mais um dia de vagabundagem,
sem mitos, nem cascas,
a filosofia só para depois,

quem sabe numas poucas, muitas linhas...
loucos e postos à mais uma tarde em cima do que nos é mais vagabundo:
o domínio do tempo enlouquecido por não estar preso a si mesmo,
só a nós...
loucos,
loucos para agarrar um destes momentos sublimes do não lembrar,
de parecer "mentiras ou não?" Será?

...

O diálogo fora da real-idade:

- Baixinha, canta um frevo pra mim...
- hummm...moça, traz mais um chopp, rsrsrs.
- Você se sai muito bem, mas vamos, canta um frevo...
Num intervalo de golpes, goles...
- "Bloco das flores, andaluzas, cartomantes, camponeses, após-funs...E o Bloco da saudade assim, recorda tudo o que passou...papararapápara..."
- Nossa que coisa linda, você esconde, esconde, mas super afinadinha..vamos, canta outro, baixinha...
- Outro?
- Outro, sem o tempo do chopp...rs.
- Unf, tsc, Há...tá..."Felinto, Pedro Salgado, Guilherme Fenelon, cadê seus blo..."
-Não, não, você precisa entrar mais forte..."FELINTO, PEDRO SALGADO...", frevo tem que entrar forte...
- Ah que nada...esse não. Olha, você entende pra caramba de violão, mas de frevo eu entendo um "tiquinho"... mas bota su aviolinha no saco e me escuta: esse frevo não é o que você acabou de solfejar...nãnãnã...esse aqui é um frevo de bloco, suave, pode ser mais suave...as velhinhas até cantam nos blocos assim (mostra os dedinhos pra cima...)...
- Ah, é?
- É. Esse que você tá falando é o frevo de rua, de metal...rsrsrsrs...
- Mas você me passou a perna, heim...?
- Mas também, depois da minha mancada com a gravação do cd de Yamandú Costa e Paulinho Nogueira-Moura...rsrsrs, estamos quites...


Tarde cheia de conversas fiadas muito bem pagas..."seu violonista por 5 min..."

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