sexta-feira, 6 de junho de 2008

Tempo de Colheita em Portugal...

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E eu não sou baú pra guardar toda a felicidade em mim
Eu abro a boca e multiplico o verbo
Eu falo na feliz-idade pra não ficar em mente
Mas para deixar ela sair, contaminar
Com todos os seus líquidos
Vivazes, sonolentos, todos eles
Chegando nos outros
Em mim
Em roda
Nada guardado!
Tudo ao ar:
Alegria, alegria!
O que de mal passou
Foi embora,
Bateu a porta,
Nem a-Deus foi mandado
Ele não o quer...
Em mente ou em lente
Eu ando e fotografo o que em mim já é amor
Eu faço
Eu deito
Eu rio
Eu cruzo os braços se tudo for mentira
Se tudo for imaginação tola e sem crédito
Eu não sou baú pra ficar calada
Indiferente a tudo isto
Sem fazer nada
Sem dizer a ninguém
Sem distribuir com alguém
Eu
Andei nas ruas cantando em plena madrugada
Cantei no bambo do palco improvisado
Nas noites esfumaçadas de um narguilé
Ao encontro de vozes finas e risos destrambelhados
Fortes, sinceros, vermelhos, em fogo, em brasa que demora.
Em dança em dia de chuva fina
Em dia que sol não aparece e dorme mais que o tempo de nós mesmos
No gesto do canto do olho que desenha o prazer de se estar
De se ver, de se ter, de se andar de mãos dadas
De mãos atadas com a simplicidade do encontro
E com tanto talento pra boémia
Pra poesia das coisas e palavras
Os minutos são reavaliados
E cada instante é bem aproveitado
Em tempo-espaço-há.braço-há.corpo
A gente que coisifica o infinito
Dá nome ao não pensado
Faz latente o invisível:
Os sentimentos, todos eles de bem
Em cores que combinam além da roupa, da vaidade…
E se pelo dia o sol aparece
O mergulho no branco do sorriso é de cegar
É paradoxal quando há encontro da silhueta dos meus daqui com a luz permanente de uma estrela
Da serenidade de nós todos separados
Da euforia que dá de nós todos em 'com-junto'
Como 'tijolinhos em construção civil'
Contando os quadradinhos da rua na volta da Ria
Ria mesmo
É sempre muito engraçado
Ou feliz.
Em lembrar
Do frisson, das pernas do funâmbulo
Quando se abraçou
Os amores de inverno
Os que são chatos, mas deixam ser descobertos em sorrisos, no pouco espaço de tempo de entrega
Quando se sentiu a surpresa do que não mais quer estar
Até o que não mais tem assunto
Do que deixou tristeza
E do que ajudou a apagar esse rastro
Das 'mordidinhas chatas' que nos fazem lembrar pelos próximos 15 dias
Desse alguém que tem dentes afiados
Dos beijos não programados
Das descobertas ao acaso (se isso existisse!)
Dos cheiros eternizados
Dos abraços catalogados, com senha, com segredo ao quadrado
Das cores da primavera fria do país que não é o 'cheio de graça' e nem tem 'a nega chamada Teresa'
Ela existe em apelido
Atende por Tess, Teté (tete-à-tete)
Fino como o chá da tarde inglesa
Simpático como um francês de coração brasileiro
Nascido por engano na terra da Amélie
E fascinado pela bebida de limão em terras do meu Recife
(meu Recife de sol, mas que hoje deu notícia da chuva que desmancha os barquinhos de papel)
Andei no fio fino dos sonhos acordados bem no meio do bom do doce
Preparei a melhor bebida com cachaça, morango e carinho
Andei subindo as ladeiras da preguiça da 'Vila Nova dos Bons, perdão, dos melhores Vinhos de Gaia.do.Mundo'
Pensando no bilhete premiado que me faltava ao bolso
Ao meu e do meu singelo 'marido por 9 meses
Esses meses de gestação de uma amizade que já tinha nascido
Gestação do compromisso como controle de qualidade
De nós duas, eu e meu 'marido'
De encontrar em dias primeiros das terras do além.muito.mais.que.mar
Fortaleza na família escolhida da 'minha bibliotecária do século'
Chorei no hall daquele bar
Eu sorri no hall daquele mesmo bar
Que eu também dancei e comecei a ser vista e a dar visão
A dar saudades
A ter saudades…
E por não acharem que os livros não andaram em minha bolsa
Observem minha mochila
Feita de páginas de fundo branco
Entre um passo e outro, preeenchida pelo destaque preto
Ou em cores
Ou em gravuras, fotografias, vídeos e performances
Instalações na costura da minha 'pequena-grande mala obsessiva'
Do conhecimento que ainda não sei para que aponta
Mas que tem torre e farol certo
Da costura das páginas em branco
Das páginas que também nem foram lidas
Tragos nos pequenos bolsos, apontamentos da minha mansidão passageira
Do centro onde preparei minha arte
Que grito em dividir o palco
E grita cara a cara com meu espelho que é hora de andar
Em cima dos pés da little-cinderela
Num caminho trilhado pelos sapatos que estão prestes a serem achados
Num domingo de abóbora pós meia-noite
Meia-luz
Meia-nudez
Velada…
Um dia ela aparece com essa vontade que tem de aparecer.
E não vai ser esquecida em mesa de brinde
Aqueles que 'cavuquei' aqui
Tampouco os que me derreto em braços lá
Que plantei e de tempos em tempos
Venho colher
Cheia de vasos coloridos em mãos
Ou mesmo só dar bom dia e boa noite
Ao meu jardim de flores em poesia
Que andam de mãos dadas com a minha felicidade em 'Terra Estrangeira'
Que não é a do 'Salles'.
Mas a mesma que plantam os meus amigos os seus Jardins na Vizinhança quase perfeita
Se não tivesse um oceano a querer aguar nossas plantas.

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[para quem é de direito...
quem tem chave pra ler e se ver aqui!]

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