Chutando meu castelo de areia...
os meus saltos já foram ao alto...
minha passarela foi desmontada
minha desenvoltura posta no lugar
minha timidez ao posto.
sentada na platéia a olhar o desmonte
tem vestígio da minha passagem em todo o canto
o espaço ainda tem a minha cor
sente-se o cheiro dela
a pose feita e criada por mim
toda festeira, nem de muita festa ela é.
olha de lado,
olha ao lado,
tem-se de tudo
não tem nada que quer
inquieto o lugar do castelo engolido pelo mar
porque a insistência em secar o mar
e montar altar para quem só tem o nome de santo
entre tantos gastos:
a minha descrença nesta reza e no santo.
Cultivando a oração da necessidade de se manter acordada...

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