sexta-feira, 19 de novembro de 2010

Desculpa, minha querida veinha...

Aperto bem forte entre os dedos um fruto chamado caju
o sumo se esvai
fica a fibra
a carne
e puxando em lascas verticais os pedaços
pouco a pouco
meus dentes perfuram esta carne
rumino a fruta...

A sensação que tenho de repuxo no coração
quando discuto com você é esta
parece meu coração um caju
despedaçado
ingrato quando lembro que é ele mesmo que pulsa de amor
por você
por um outro
ele atrai
ele me trai.


ingrato quando ele se apunhá-la
e sabe que doendo nele
dói mais em mim...
e que o ruminar as palavras
aumenta as fibras a serem repuxadas
engolidas neste órgão dúbio, meu coração...

desprezo em mim essa rispidez
quando é com o outro
e principalmente quando o outro é você

desprezo em mim essa fraqueza
de não ter ainda maturidade
de somente escutar
reconhecer esse meu lugar
em baixo das tuas saias
esse que nunca saí

desprezo em mim ter agora
que estar aqui falando novamente pra mim
que já ouvi o meu algoz interno
que me falta ser mais cortês
que me falta ser mais uma filha
que uma velha amiga chata

desprezo em mim
essa falta de coragem
de discar e pedir uma sincera desculpa

e fico eu mesma chupando o caju passado
da fruta do meu coração.

odeio quando faço uma "poupança" de mágoas
e as deposito em sua conta.

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