domingo, 8 de julho de 2007

Quinta-feira, 05 de julho de 2007: até o céu chorou...
indig-NAÇÃO
essa a palavra que mais enche minha boca...
minha alma.
um amigo,
um pai,
um irmão,
um marido,
um amante,
um profissional,
um...
entre tantos outros.
ele.
ele que tanto defendeu...
foi pego indefeso,
surpreso,
na moita,
na noite,
no cotidiano.
foi-se, só.
levando um pouco deles tantos,
nós, tantos outros.
ele,
sem saber
sem querer,
tanto ainda a ver...
foi-se-indo-caminho-longo-a-dentro...

ela.
a amiga,
a mulher,
a mãe,
a filha,
a namorada,
a guerreira,
a patrulheira da vida dele...
aquela atrás do grande homem,
dos seus pequenos grandes homens...
agora chora, ela.
não foi,
mas deixou-se ir um pouco de si
o pensamento junto a ele.
ela.
sustentou no punho a direção da incerteza,
viu-se na estrada conhecida, o desconhecido...
viu-se em quilômetros a dez-salvação dele,
tarde demais.
ela não desiste,
ela cheira a saudade,
ela chora a saudade,
mas ele enamorou-se no colo do mais-além,
do caminho mais longo,
mais florido,
sereno...
ela olha,
desacredita,
só chora,
custa a creditar sua sorte
sem o Ele,
sem o Este de sempre,
seu namorado,
seu enamorado,
o patrulheiro de seus sonhos...
"O que a gente faz agora, Rita?"
eu emudeço.
eu diminuo ao menor tamanho do universo,
dentro de mim,
não há respostas.
dentro de mim,
só há saudades.
da alegria dela custosa a florescer,
do encantamente dele
que não tarda em ficar latente na memória.
do grito longo de um menino formado,
mas indefeso...
eu emudeço,
eu não existo.
eu me isolo do que não consigo conter.

Como fazer para sanar a dor?
Meu menino,
o nego que amo de graça,
só pela graça...
o peito aperta em vê-lo chorar
feito um menino sem consolo,
junto aos teus dois outros meninos fraternos,
fala ao teu...
teu amigo,
teu pai.
dá a Deus.
Só dou-te meu abraço
quando sempre quiseres o terá.
Só o isso de mais todo que tenho, posso dar-te.
mas assim o farei,
sempre que o precisar.

A ti, minha linda florzinha paraibana,
o que mais quero de ti,
é o que antes era mais abundante
e hoje é tão caro em ti:
teu sorriso.
"A amiga da minha mãe"
a amiga da farra,
dos bons vinhos,
da dificuldade,
dos desejos,
dos grandes sorrisos,
do bom alto-astral,
da solidez do pensamento,
da sensibilidade,
da tenacidade.
desta vez não deu...
desta vez, você precisou chorar
e eu não pude mais que te abraçar
e sentir no meu verso a tua dor.

a ti, Louro-Moreno.
o melhor dos louros dos deuses,
àquela recompensa que só os justos alcançam,
que poucos são capazes de enxergar.
a ti, dou-te a certeza de que deixaste
um legado de bons filhos,
boas sementes,
boas edificações,
muito melhores amizades.
eu, posso dizer isto assim,
com a maior das fortalezas:
não o fostes por inteiro,
porque deixas-te
boas lembranças...
as melhores.
amizade não cessa,
não cessando assim,
nos pensamentos dos teus amigos,
a tua figura.


No en-Luto das atrocidades do outro, daquele que não tomou um grande abraço dos filhos ao acordar, aquele que não sentiu o gosto doce do beijo da esposa na noite anterior e amanheceu com inveja dos que são felizes e de grande respeito. A eles, peço a Deus, o perdão, por não pensarem antes de disparar uma arma, pior, por não pensarem antes de apontá-las.
Fica aqui, a gratidão a uma família amiga, que fez do meu amigo que se foi, um homem feliz. Por ter tido ele, o beijo doce da esposa e o abraço forte de seus filhos e carinho de seus amigos, ainda que cada um ao seu modo.
[ao Sr. Louro: saudades!]

à Lourdinha e aos Meninos: Vida...

Um comentário:

Luna Freire disse...

Muito lindo Ritinha... inda mais esta forma de pensar o outro, o que te roubou o amigo, como alguém que não teve o abraço dos filhos nem o carinho da esposa, nem nada... Não sabia que escrevias tão belo... Vou botar teu blog como link no meu. E recomendar, claro. Xêros mil.