quarta-feira, 16 de janeiro de 2008

"Entre as tantas...
eu agora escolho quem me mente
(essa é minha pura mentira!)
eu agora escolho quem me deixo mentir
a tua conversa não consegue ultrapassar uma simulação barata do óbvio.
inventas meios, pretextos, desculpas
para encobrir o que a falta de coragem
de algo que nunca fizeste questão de ter...
é tudo pelo simples prazer de mentir
de fazer a boa praça.
Desista!
Onde tentas construir a praça
ainda há jardins de primaveras eternas.
quero que entenda:
o mal não está na mentira...
está na intenção, na má execução desta e no alto preço pago.
ela é feita por tão pouco e você paga tão alto...
tua mentira, em especial, cansa.
tua conversa desinteressante
tua falta de brilho no olhar...
tua beleza ainda é aturável,
mas entendo quando se diz que beleza põe mesa
mas o poeta que me desculpe...
mas depois da mesa posta
a gente come
e é muito bom...
é muito bom, muito
mas não passa de um bom prato!"

Entre a tua verdade e a minha mentira
fico com a última...
ela é muito mais orgânica e verdadeira.


[texto raptado de um caderno velho e sábio de Dona Marataia Araújo, "sinhasinha dos homem e das mulheres sem nada na cabeça além do que foi posto mecanicamente por ela"]

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