Não sou de uma família de 'intelectuais'
e não tenho preconceito algum a quem o é
posso e até vou fazer apologias de fato,
não me importo quando um dia vierem a me chamar assim...
sou de uma família a que um dia pensa
que eu ao menos possa chegar a falar
falar da forma que eu pensar
ao menos um pensamento organizado segundo minhas leis
seguindo pouco as dos outros
sem ter que estar o tempo todo sujeita a uma censura
que me interrompa os pensamentos...
sei que ela ainda vai ter trabalho em escutar
e nem tão cedo assim, vai ter em mim essa realização
mas tenho dito que aos poucos
corre em mim o grito
o grito de há tanto eles merecem ouvir
e eu enfim, já preparando outros...
Tudo bem que cresci
nessa família de 'não-intelectuais'
a dizer que o cinema brasileiro era uma 'bosta' (eu ainda só conhecia o que era merda!)
mas achava sonoramente bom o que ouvia, achava mesmo que o cinema (eu só conhecia mais a televisão, nunca me deixavam ver os filmes no cinema...) era aquilo que diziam,
achava que soava bem com o lugar que, às vezes, passava à frente.
mas em tempos, jogando o relógio ao mar,
vivendo...
cresci e me decidi, meio como quem vai ao bar e alguém oferece uma bebida,
trabalhar com artes
ver mais artes
ver mais além do que se mostra
pensar além do meu mundinho das minhas bonecas louras.
quando descobri o que de fato era uma 'bosta'
comparei ao meu primeiro ponto de identificação
lembro que as primeiras imagens que me deparei
não foram de fato, as melhores
mas não chegava achar que aquilo
o antes
de tudo
de hoje
era tão de fato assim, uma, uma, uma...
(bem, talvez me tenha batido uma certa censura)
...e voltando às imagens do cine brasileiro,
no seu início,
digo mesmo que não acho que combine mais com a sonoridade da palavra 'bosta'
nem ao seu significado
pejorativo ou não (não creio que haja muita diferença entre os dois significados desta palavra)
e sei da efervescência que em algumas décadas houve
e da valia que algumas produtoras tiveram...
de verdade,
é sabido que, como tudo, há tempo de muita merda-dita
merda-feita, tá no relógio biológico e no histórico.
Mas a verdade, é que vim aqui, escrever não de antes
mas da satisfação em dizer que esta época vivida por mim,
- a con.tempo.rânea -
não é, de longe, em disparada, a pior época do cinema brasileiro
há nela uma força que carrega no peito a vontade das tuias
dos tantos, talvez quase todos milhões que involuntariamente
produzem matéria orgânica para as telas...
é certo que a socialização
e evolução dos media e o trabalho experimental
são grandes armas nesta evolução
mas há mais que isso
há uma etapa vencida
ou a passagem por ela
a da pedida da vez, da voz
de se fazer, sem ser esperado como o ridículo
como o erótico
não só...
o regionalismo ainda é muito presente
as narrações também
mas tem esmero
tem emoção
e a quebra dela também
tem mercado se abrindo
e tem credibilidade
e abertura de olhos
onde arte não é pra quem não tem o que fazer
vai além...
de quem vive e tem muito o que fazer
de quem fermenta idéias
e não se fecha numa única visão do ver
não se chega no pensamento facilmente
não é todo mundo que consegue fincar pensamento
escolher bem a forma de mostrar o conteúdo do mundo.
fala-se de bons artistas.
eles estão por ai
e basta olhar ao lado
não é linear
vem de todos os lados
mas vem vindo
vem vindo
um tempo
de não ficar parado
só na cadeira recebendo as idéias postas
no máximo, a parada é na platéia deste cine.
quinta-feira, 22 de maio de 2008
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