Na indecisão de abrir a bocase a minha música é um samba ou uma jornada,
minha cabeça já não se serve dos meus pés no chão.
fico a arrumar desculpas
à minha grande falta de solidariedade artística com meu corpo e juízo.
se vou me blogar ou tirar a roupa,
isso já não importa,
não é o suficiente...
a moradia é mais no pé do morro,
tem mais cor do encarnado,
mais cheiro de domingo
e pandeirolas no ensaio.
levante a saia da razão,
ate os olhos da loucura,
sacuda minha sensatez,
sai e cura a dor do meu senso, a minha tez
disparatada...
do que se cobre
se já não há frio?
do que se fala
se já não há diálogo?
do que se pensa
se já é ultrapassado?
do que se foge
se não sai do pensamento?
porque o que é político,
conhece a falta de vergonha e razão
para salvaguardar a sua integridade,
a sua ética.
Aos ares as suas flores sem raízes!!!
A música é qualquer coisa de popular
é qualquer coisa que meu corpo responda
e eu ainda não decidi entre a ginga e a ousadia...
é mesmo prescindível de escolha?
ou dá pra misturar os ritmos?
vamos fazer qualquer coisa de música nova
qualquer coisa de música boa
agora tem mais uma resposta a dar...
(No Museu Reina Sofia, Madrid-ES)

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