terça-feira, 4 de setembro de 2012

A escrita estava seca
rigidamente seca
Suas caudalosas idéias
        Foram-se...
vocabuláRIO rio abaixo...
em rio de desuso
ora lenta e sossegadamente
ora tempestiva e vorazmente
       em curva
       em reta
lavando as palavras
uma a uma
misturando as letras
      as idéias
      as histórias
      os pensamentos
e a poesia corre solta na superfície
tentando agarrar-se a um tronco de saudade
mas o que se sabe,
é que a correnteza da ignorância a levou queda d’Água abaixo
No curso do rio,
passam a esmo,
quase imperceptíveis,
as palavras mais doces,
uma dada à outra...
E num alvoroço mais à frente,
algumas palavras mais duras
      afundam...
algumas delas, arriscam puxar as outras tantas ao fundo das águas.
Mas o rio da conversa segue seu curso firmemente
deixando na terceira margem,
os escritos passageiros
e além de palavras,
lava as feridas de quem escreve
curando as de quem lê
e abre a alma de quem se fecha, aos poucos,
à beleza da criação.
Desaguando em mar aberto as novas idéias
Um cruzamento delas
Todas erguidas sob as mesmas palavras jogadas na nascente deste rio
apontando a mesma escrita
só que diferente
         renovada
         mais leve
         mais simples
com menos palavras
e mais significado.

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