terça-feira, 4 de setembro de 2012

                                                                                                Para Maria Juliana, pela dor já sentida

Estas coisas da existência
do que se é
do que se passa a não ser
do que se tem
do que se passa a não ter
do que se é hoje
amanhã é lembrança
Os olhos de hoje
Não enxergam poesia na morte
só saudade

Sem poesia no peito
Porque da dor do outro
não se sente
senta-se ao lado,
Somente
Só mente,
     mente Sozinha

O instante de entender
a dor do outro
do querido,
mas que não se é ele.
Ele ainda há de pairar
no coração da menina nesta noite
sem pai.
Noite sem sorriso
sem conversa
sem chão
O chão-buraco
enfia-te nele, dor
some
Engole o choro, terra!
Faz flor neste terreno,
uma alma feliz
já que a noite longa
Insiste em brotar tristeza.

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