terça-feira, 4 de setembro de 2012

Nina quando os abriu, funcionou a olhar
em todos os detalhes,
as roupas de Antonio postas sobre a cama,
na espera do pós banho.
Na sala,
beijou os cabelos louros do filho cheirando à novidade
Bateu a porta
à porta do mundo
fechou os olhos para as horas passadas
atravessou o tempo
as ideias
os medos
soltou os cabelos
entregando-os ao vento
saltou a espera
De olhos bem atentos
varreu as vitrines da cidade
para além das cores e dos valores em cifras
adiantou o pensamento
pensou
parou
voltou a pensar
amassou o pensamento
e o depositou delicadamente no lixo das ideias
Realizou.
Andando ainda
Nina tirou a roupa,
embora se mantivesse vestida.
atravessou a passagem
Parou
abriu a bolsa
fitou o papel cor de rosa, um tanto colorido
enfeitado de carinho
e abriu, além do coração,
pela primeira vez no dia,
o sorriso.
Atravessou mais uma vez, a outra rua
conferiu papel e fachada
marcou o passo no elevador.
Na subida,
Nina ganhou cor
odor
liquidez
insensatez, chegou a pingar, até!
Abriu-se
Estava lá
ao fundo do corredor
no lado esquerdo,
como no peito,
a porta.
Conferiu
papel e porta
abriu-se ela em flor
em sorrisos muitos desde o primeiro
os dedos a funcionar em cachos novamente
cachos cheirando à novidade
cachos grandes e negros
misturados aos quatro braços
de Nina e Luísa.
Ao fundo,
o reflexo de carinho
no copo de vinho tinto.
A porta discretamente
pôs-se a fechar.

Nenhum comentário: